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A história de Issa ibn Maryam (que a paz esteja sobre ele) no Alcorão e na tradição islâmica: versículos, hadiths e opiniões dos exegetas, traduzidos fielmente do árabe.
O Messias Issa ibn Maryam nasceu sem pai: Allah insuflou em Maryam do Seu espírito, e os antigos relatam que Jibril soprou na abertura da sua camisa. Mensageiro aos Bani Israel com o Evangelho, modelava da argila uma figura de ave que ganhava vida, curava o cego de nascença e o leproso e ressuscitava os mortos com a permissão de Allah; uma mesa servida desceu do céu para os seus discípulos. Os judeus quiseram matá-lo: « não o mataram, nem crucificaram, mas foi-lhes tornado semelhante », e Allah o elevou para Si. Ele descerá ao fim dos tempos, matará o Dajjal o mentiroso e não aceitará senão o islã.
Atualizado em 27 outubro 2026 às 17h57
📖 147 min de leituraRelato de Issa ibn Maryam, sobre ele a melhor das orações e a saudação.
Allah, o Altíssimo, disse na surata Al 'Imran, cujo começo foi revelado, e são 83 versículos dela, em resposta aos cristãos, sobre eles a maldição de Allah, aqueles que pretendem que Allah tem um filho; que Allah esteja muito acima do que dizem, muito alto. E tinha vindo junto do Mensageiro de Allah uma delegação de Najran entre eles, e puseram-se a repetir a sua falsidade: a trindade nas hipóstases, e afirmavam, segundo a sua pretensão, que Allah é o terceiro de três: a saber a essência santa, e Issa, e Maryam, segundo as divergências das suas seitas. Allah revelou pois, à abertura dessa surata, uma exposição clara mostrando que Issa é um servo entre os servos de Allah: Ele o criou e formou no seio, como formou as Suas outras criaturas, e que o criou sem pai; sê, e foi.
O Altíssimo expôs também a origem do nascimento da sua mãe Maryam, e como foi a sua história, e como concebeu o seu filho Issa; do mesmo modo desenvolveu isso na surata Maryam, como falaremos de tudo isso, com o socorro de Allah e o belo êxito que Ele concede e a Sua guia:
« Em verdade, Allah escolheu Adão e Nuh, a família de Ibrahim e a família de 'Imran, acima dos mundos, uma descendência, uns provenientes dos outros; Allah é o Ouvinte, o Onisciente. Quando a mulher de 'Imran disse: meu Senhor, voto-Te o que está no meu ventre, liberto; aceita-o pois de mim; Tu és o Ouvinte, o Onisciente. Depois, quando o pariu, disse: meu Senhor, pari-o, uma filha; e Allah sabe melhor o que ela pariu; o macho não é como a fêmea; e nomeei-a Maryam; e ponho-a sob a Tua proteção, ela e a sua descendência, contra o diabo lapidado. O seu Senhor aceitou-a pois duma bela aceitação, e fê-la crescer duma bela crescimento, e confiou-a a Zakariyya.
Cada vez que Zakariyya entrava junto dela no santuário, encontrava junto dela um alimento. Ele disse: ó Maryam, donde te vem isto? Ela disse: isso vem de Allah; em verdade Allah provê a quem Ele quer, sem conta. »
Surata Al 'Imran, 33-37
O Altíssimo menciona que escolheu Adão, a elite da sua descendência, os que seguem a sua lei e permanecem constantes na sua obediência, assim como a família de Ibrahim, na qual entraram os filhos de Ismael e os filhos de Isaac. Depois mencionou o mérito dessa casa pura e excelente, a saber a família de 'Imran. O 'Imran visado aqui é o pai de Maryam, e é 'Imran ibn Bashim ibn 'Amoun ibn Misha ibn Hizqiya ibn Ahziq ibn Mawthim ibn Azarya ibn Amsiya ibn Yawish ibn Ahzihu ibn Yaram ibn Yahfashat ibn Ayish ibn Aban ibn Rahbaam ibn Sulayman ibn Dawud.
Maryam bint 'Imran ibn Matan ibn Laya'zar ibn al-Yud ibn Ajban ibn Saduq ibn 'Aya'zur ibn al-Yaqim ibn Aybud ibn Zarba'il ibn Shaltan ibn Yuhinya ibn Birstiya ibn 'Amoun ibn Micha ibn Hazqil ibn Ajaz ibn Yutham ibn 'Azriya ibn Buram ibn Busafat ibn Asa ibn Abya ibn Rakhi'am ibn Sulayman ibn Dawud. Há aí uma divergência com o que relatou Muhammad ibn Ishaq, e não há desacordo sobre o fato de ela ser proveniente da linhagem de Dawud. O seu pai 'Imran era aquele que dirigia a oração dos Bani Israel à sua época, e a sua mãe, Hanna bint Faqoud ibn Qubayl, era do número das adoradoras. Zakariyya, o profeta dessa época, era o esposo da irmã de Maryam segundo o parecer da maioria, ou o esposo da sua tia materna. Allah sabe melhor.
Muhammad ibn Ishaq e outros relataram que a mãe de Maryam não caía grávida. Um dia, viu uma ave que nutria o seu pequeno, e desejou ter uma criança. Fez pois um voto a Allah: se ficasse grávida, consagraria a sua criança ao serviço da Casa Santa, isto é, que a poria à parte no serviço de Bayt al-Maqdis. As suas regras vieram imediatamente, e quando foi purificada, o seu marido se uniu a ela, e concebeu de Maryam.
Quando a pariu, disse: meu Senhor, pari-o, uma filha; e Allah sabe melhor o que ela pariu, e o macho não é como a fêmea, leitura com a ta portando um damma, isto é, em vista do serviço da Casa Santa. A essa época, as gentes faziam voto de servir a Casa Santa com certos dos seus filhos. E nomeei-a Maryam: disso se deduziu o costume de nomear a criança no dia em que nasce, como está estabelecido no Sahih segundo Anas, quando foi com o seu irmão para o Mensageiro de Allah e que o seu irmão foi beliscado e nomeado Abdallah. Todo menino é retido pelo seu 'aqiqa: imola-se por ele ao sétimo dia, nomeia-se e raspa-se-lhe a cabeça.
Relatado por Ahmad e os autores dos Sunan, e autenticado por at-Tirmidhi; at-Tirmidhi citou uma variante; outros o autenticaram. Allah sabe melhor. Quanto a: e ponho-a sob a Tua proteção, ela e a sua descendência, contra o diabo lapidado, a invocação foi-lhe atendida sobre esse ponto. Abd ar-Razzaq nos relatou; Ma'mar nos relatou, de az-Zuhri, de Ibn al-Musayyib, de Abu Hurayra, que diz: nenhum recém-nascido escapa ao contato do diabo ao momento em que nasce, que o faz urrar ao contato do diabo, à exceção de Maryam e do seu filho.
Depois Abu Hurayra disse: lede, se quereis: e ponho-a sob a Tua proteção, ela e a sua descendência, contra o diabo lapidado. Os dois o relataram na tradição de Abd ar-Razzaq. E Ibn Jurayj o relatou, de Ahmad ibn al-Faraj, de Baqiyya, de az-Zubaydi, de az-Zuhri, de Abu Salama, de Abu Hurayra, do Profeta, num sentido vizinho.
Isma'il ibn Omar nos relatou; Ibn Abi Dhi'b nos relatou, de Ajlan, liberto de al-Musham'all, de Abu Hurayra, que diz: todo recém-nascido dos filhos de Adão é tocado pelo dedo do diabo, à exceção de Maryam bint 'Imran e do seu filho Issa. É o único a tê-lo relatado dessa maneira. E Muslim o relatou, de Abu at-Tahir, de Ibn Wahb, de Omar ibn al-Harith, de Abu Yunus, de Abu Hurayra, do Profeta, num sentido vizinho.
Haytham nos relatou; Hafs ibn Maysara nos relatou, de al-'Ala', do seu pai, de Abu Hurayra, que diz: todo ser humano, quando a sua mãe o pariu, é beliscado pelo diabo nos seus dois braços, à exceção de Maryam e do seu filho. Não vês o lactente, quando o depõem, como grita? Sim, ó Mensageiro de Allah. É ao momento em que o diabo o belisca nos seus dois braços. Este hadith é segundo as condições de Muslim, mas não o relataram dessa maneira.
E Qays o relatou, de al-A'mash, de Abu Salih, de Abu Hurayra, que diz: nenhum recém-nascido a quem o diabo não tenha dado uma pressão, uma ou duas, à exceção de Issa ibn Maryam, em razão de: e ponho-a sob a Tua proteção, ela e a sua descendência, contra o diabo lapidado. Do mesmo modo o relatou Muhammad ibn Ishaq, de Yazid ibn 'Abdallah ibn Qusayt, de Abu Hurayra, do Profeta, com a autenticidade do hadith.
'Abd al-Malik nos relatou; al-Mughira ibn 'Abdallah al-Hizami nos relatou, de Abu az-Zinad, de al-A'raj, de Abu Hurayra, que diz: o diabo perfura o flanco de todo filho de Adão ao momento em que nasce, à exceção de Issa ibn Maryam: o diabo partiu para o perfurar, e não perfurou senão o véu. Este hadith é segundo as condições dos dois Sheikhs, mas não o relataram dessa maneira.
O seu Senhor aceitou-a pois duma bela aceitação, e fê-la crescer duma bela crescimento, e confiou-a a Zakariyya. Muitos exegetas mencionaram que a sua mãe, quando a pariu, envolveu-a na sua envoltória, depois saiu com ela para a mesquita, e a remeteu aos adoradores que aí residiam, e ela era a filha do seu imã e aquele que dirigia a sua oração, e disputaram a seu respeito. Aparece que não lha remeteu senão depois de a ter amamentado e depois da guarda duma pessoa semelhante a ela na sua pequena infância; depois, quando lha confiou, disputaram para saber quem entre eles a tomaria a cargo, e Zakariyya era o seu profeta nessa época, e quis tomá-la só para si, à exclusão dos outros, porque a sua esposa era a sua irmã, ou a sua tia materna, segundo os dois pareceres. Oponham-se-lhe, e pediram que sorteasse com eles, e os destinos o ajudaram: o seu lote saiu vencedor sobre eles; e isso porque a tia materna tem o grau da mãe.
Em razão da sua vitória sobre eles no sorteio: isso faz parte das novas do invisível: isso te foi revelado, e não estavas junto deles quando lançavam os seus cálamos para decidir quem deles tomaria Maryam a cargo, e não estavas junto deles quando disputavam. Isso porque cada um deles lançou o seu cálamos, conhecido dele, depois tomaram-no e puseram-no num lugar, e ordenaram a um jovem menino que não tinha atingido a puberdade deles tirar um, e o cálamos de Zakariyya apareceu. Pediram sortear uma segunda vez, lançando os seus cálamos no rio: aquele cujo cálamos avançasse contra a corrente da água seria o vencedor. Fizeram assim, e o cálamos de Zakariyya foi aquele que avançou contra a corrente da água, enquanto os seus cálamos se foram com a água.
Depois pediram-lhe sortear uma terceira vez: aquele cujo cálamos avançasse com a água, enquanto o resto dos cálamos veria a sua corrida inverter-se e remontaria para a montante, seria o vencedor. Fizeram assim, e Zakariyya foi o vencedor sobre eles, e tomou-a a cargo, sendo o mais direito a ela segundo a lei e segundo o decreto, por razões múltiplas. Cada vez que Zakariyya entrava junto dela no santuário, encontrava junto dela um alimento. Ele disse: ó Maryam, donde te vem isto?
Ela disse: isso vem de Allah; em verdade Allah provê a quem Ele quer, sem conta. Disseram os exegetas: Zakariyya lhe tinha reservado um lugar nobre da mesquita, que ninguém outro que ela não entrava, e nela adorava Allah, e se desincumbia do que lhe incumbia como guardiã do Templo quando a sua vez vinha, e dedicava-se à adoração noite e dia, até que se viesse a citar o seu exemplo pela sua adoração entre os Bani Israel, e tornou-se célebre pelos nobres estados e as nobres qualidades que nela apareceram. Ao ponto que o profeta de Allah Zakariyya, cada vez que entrava junto dela no seu lugar de adoração, encontrava junto dela um alimento estranho fora de estação: encontrava junto dela os frutos do verão no inverno, e os frutos do inverno no verão. Donde te vem isto?
Ela dizia: isso vem de Allah, isto é, um alimento de que Allah me proveu. Em verdade Allah provê a quem Ele quer, sem conta. Então Zakariyya desejou ter uma criança do seu próprio flanco, embora tivesse envelhecido e se tornado velho. Ele disse: ó Tu Que provês a Maryam o fruto fora de estação, concede-me uma criança, fosse fora de estação.
O que disso foi relatado da sua história é o que já mencionamos no seu relato.
« E quando os anjos disseram: ó Maryam, em verdade Allah te escolheu, te purificou e te escolheu acima das mulheres dos mundos. ó Maryam, devotadamente submetida ao teu Senhor, prostra-te e inclina-te com os que se inclinam. Isso faz parte das novas do invisível; to revelamos, e não estavas junto deles quando lançavam os seus cálamos para decidir quem deles tomaria Maryam a cargo, e não estavas junto deles quando disputavam. E quando os anjos disseram: ó Maryam, em verdade Allah anuncia-te a boa nova duma palavra d'Ele, cujo nome é o Messias, Issa ibn Maryam, ilustre neste mundo baixo e no outro, e do número dos próximos; e falará às gentes no berço e em idade madura, e do número dos justos.
Ela disse: meu Senhor, como teria eu uma criança, enquanto nenhum homem me tocou? Ele disse: assim Allah cria o que Ele quer; quando decretou uma coisa, diz-lhe somente: sê, e é. E ensinar-lhe-á a Escritura, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. E será um mensageiro para os Bani Israel: vim a vós com um sinal do vosso Senhor: crio para vós da argila à figura duma ave, depois sopra nela, e será uma ave com a permissão de Allah; e curo o cego de nascença e o leproso, e ressuscito os mortos com a permissão de Allah; e anuncio-vos o que comeis e o que thesaurizais nas vossas casas.
Nisso há para vós um sinal, se sois crentes. E vindo confirmar o que há antes de mim da Tora, e para vos tornar lícita uma parte do que vos foi interditado; e vim a vós com um sinal do vosso Senhor: temei pois Allah e obedecei-me; em verdade Allah é o meu Senhor e o vosso Senhor; adorai-O pois; eis uma via reta. »
Surata Al 'Imran, 42-51
O Altíssimo menciona que os anjos anunciaram a Maryam a boa nova da escolha de Allah para ela, entre todas as mulheres dos mundos da sua época, em que a tinha escolhido para que desse à luz um filho dela, sem pai, que na sua pequena infância os convidaria a adorar Allah só, sem associado, e do mesmo modo na idade de maturidade, o que indica que atingiria a idade madura e chamaria a Allah durante essa. E foi-lhe ordenado muito adorar, de devoção, de prostração e de inclinação, para ser digna dessa nobreza e para render graça desse favor. Tinha-se na oração até que os seus pés inchem, e que Allah tivesse misericórdia dela, e da sua mãe e do seu pai. ó Maryam, em verdade Allah te escolheu, isto é, te elegeu e preferiu. E te purificou, isto é, dos vícios, e te deu as belas qualidades.
E te escolheu acima das mulheres dos mundos: isso pode visar os mundos da sua época, como em: escolhi-te acima das gentes, e a Sua palavra a propósito dos Bani Israel: e certamente os escolhemos, em ciência, acima dos mundos. É conhecido que Ibrahim é melhor do que Musa, e que Mohamed é melhor do que eles dois; e do mesmo modo essa comunidade é melhor do que todas as comunidades que a precederam, mais numerosa, mais sabedora, e de obras mais fecundas do que os Bani Israel e os outros. E te escolheu acima das mulheres dos mundos: a sua universalidade é salvaguardada; seria pois a melhor das mulheres do mundo, das que foram antes dela e das que vieram depois dela; porque, se ela era profetisa, segundo o parecer de quem sustenta a sua profecia e a de Sara, mãe de Isaac, e a da mãe de Musa, apoiando-se sobre o discurso dos anjos e a revelação endereçada à mãe de Musa, como pretende Ibn Hazm e outros, então: e te escolheu acima das mulheres dos mundos, visto que ninguém outro lhe foi preferido.
E Allah sabe melhor. Quanto ao parecer da maioria, como relatou Abu al-Hasan al-Ash'ari e outros das gentes da Sunna e do consenso: a profecia é reservada aos homens, e não há profetisa entre as mulheres; então os graus os mais altos de Maryam são: o Messias ibn Maryam não é senão um mensageiro; mensageiros passaram antes dele, e a sua mãe era uma veraz. Segundo isso, nada impede que ela seja a melhor das verazes célebres, das que foram antes dela e das que virão depois dela. E Allah sabe melhor.
O seu nome veio ligado a Asiya bint Muzahim, e a Khadija bint Khuwaylid, e a Fatima bint Mohamed, que Allah esteja satisfeito com elas.
Abd ar-Razzaq nos relatou; Ma'mar informou-nos, de Qatada, de Anas: o Mensageiro de Allah disse: quatro mulheres te bastam entre as mulheres dos mundos: Maryam bint 'Imran, e Asiya, a esposa de Faraó, e Khadija bint Khuwaylid, e Fatima bint Mohamed. At-Tirmidhi o relatou, de Abu Bakr ibn Zanjawayh, de Abd ar-Razzaq, e autenticou-o.
Ibn Mardawayh o relatou pela via de Abdallah ibn Abi Ja'far ar-Razi, e Ibn Asakir pela via de Tamim ibn Ziyad, ambos de Abu Ja'far ar-Razi, de Thabit, de Anas: o Mensageiro de Allah disse: as melhores mulheres dos mundos são em número de quatro: Maryam bint 'Imran, e Asiya, a esposa de Faraó, e Khadija bint Khuwaylid, e Fatima bint Mohamed, o Mensageiro de Allah.
Abd ar-Razzaq nos relatou; Ma'mar nos relatou, de az-Zuhri, de Ibn al-Musayyib: Abu Hurayra narrava que o Profeta disse: as melhores das mulheres que montaram os camelos são as mulheres de Quraysh: a mais terna para com uma criança na sua pequena infância, e a mais generosa para com um esposo a recursos limitados. Abu Hurayra disse: e Maryam nunca montou um camelo. E Muslim o relatou no seu Sahih.
Zayd ibn al-Hubab nos relatou; Musa ibn 'Ali narrou-me: ouvi Abu Hurayra dizer: o Mensageiro de Allah disse: as melhores das mulheres que montaram os camelos são as mulheres de Quraysh: a mais terna para com uma criança na sua pequena infância, e a mais compassiva para com um esposo a recursos limitados. Abu Hurayra disse: e o Mensageiro de Allah sabia que a filha de 'Imran não tinha montado os camelos. É o único a tê-lo relatado assim, e está segundo as condições do Sahih. E esse hadith tem outras vias, segundo Abu Hurayra.
Zuhayr nos relatou; Younous ibn Mohamed nos relatou; Dawud ibn Abi al-Furat nos relatou, de 'Ilba ibn Ahmar, de 'Ikrima, de Ibn 'Abbas, a propósito de: sobre a terra há quatro traços; ele disse: sabeis o que é? Allah e o Seu Mensageiro sabem melhor: as melhores mulheres das gentes do Paraíso: Khadija bint Khuwaylid, e Fatima bint Mohamed, e Maryam bint 'Imran, e Asiya bint Muzahim, a esposa de Faraó. E an-Nasa'i o relatou por várias vias, de Dawud ibn Abi al-Furat.
Ibn Asakir o relatou pela via de Abu Bakr Abdallah ibn Abi Dawud Sulayman ibn al-Ash'ath: Yahya ibn Hatim al-Askari nos relatou; Bishr ibn Mihran ibn Hamdan informou-nos; Muhammad ibn Dinan nos relatou, de Dawud ibn Abi Hind, de ash-Sha'bi, de Jabir ibn 'Abdallah: o Mensageiro de Allah disse: quatro delas te bastam: Fatima bint Mohamed, e Khadija bint Khuwaylid, e Asiya bint Muzahim, e Maryam bint 'Imran.
Abu al-Qasim al-Baghawi disse: Wahb ibn Baqiyya nos relatou; Khalid ibn 'Abdallah al-Wasiti nos relatou, de Muhammad ibn 'Amr, de Abu Salama: lembras-te quando te debrucaste sobre o Mensageiro de Allah e choraste, depois riste? Ele informou-me que morreria dessa doença, e chorei; depois debrucei-me sobre ele, e informou-me que eu seria a primeira dos seus a reencontrá-lo, e que eu seria a senhora das mulheres das gentes do Paraíso, à exceção de Maryam bint 'Imran, e ri. E a origem desse hadith está no Sahih, e essa cadeia é segundo as condições de Muslim; há nisso que as duas mencionadas são as melhores das quatro.
Do mesmo modo o hadith relatado pelo imã Ahmad: Uthman ibn Mohamed nos relatou; Jarir nos relatou, de Yazid, que é Ibn Abi Ziyad, de 'Abd ar-Rahman ibn Abi Nu'm: o Mensageiro de Allah disse: Fatima é a senhora das mulheres das gentes do Paraíso, à exceção de Maryam bint 'Imran. Cadeia boa, autenticada por at-Tirmidhi, mas não a relataram; e foi relatado um sentido vizinho do hadith de 'Ali ibn Abi Talib, mas a sua cadeia comporta uma fraqueza.
O discurso é que isso indica que Maryam e Fatima são as melhores dessas quatro, e a exclusão pode significar que Maryam é melhor do que Fatima, ou que são iguais em mérito; mas chegou um hadith que, se é autêntico, estabelece a primeira possibilidade. Abu al-Hasan ibn al-Farra', Abu Ghalib e Abu 'Abdallah, os dois filhos de al-Banna, informaram-nos; Abu Ja'far ibn al-Muslima informou-nos; Abu Tahir al-Mukhallis informou-nos; Ahmad ibn Sulayman nos relatou; az-Zubayr, que é Ibn Bakkar, nos relatou; Muhammad ibn al-Hasan nos relatou, de 'Abd al-'Aziz ibn Mohamed, de Musa ibn 'Uqba, de Kurayb: o Mensageiro de Allah disse: a senhora das mulheres das gentes do Paraíso é Maryam bint 'Imran, depois Fatima, depois Khadija, depois Asiya, a esposa de Faraó.
Se esse texto é preservado com: depois, Abu Hatim ar-Razi o relatou também, de Dawud al-Ja'fari, de 'Abd al-'Aziz ibn Mohamed, que é ad-Darawardi, de Ibrahim ibn 'Uqba, de Kurayb, de Ibn 'Abbas, remontado ao Profeta, mencionando os nomes com um e de coordenação e não com um depois de ordem, a sua cadeia e o seu texto divergem pois dele. E Allah sabe melhor.
Quanto ao hadith relatado por Ibn Mardawayh, do hadith de Shu'ba, de Mu'awiya ibn Qurra, do seu pai: o Mensageiro de Allah disse: muitos homens atingiram a perfeição, mas somente três mulheres a atingiram: Maryam bint 'Imran, e Asiya, a esposa de Faraó, e Khadija bint Khuwaylid; e o mérito de Aisha sobre as mulheres é como o mérito do tharid sobre todos os outros alimentos.
Do mesmo modo o hadith relatado pelo Grupo, à exceção de Abu Dawud, por várias vias, de Shu'ba, de 'Amr ibn Murra, de Murra al-Hamdani, de Abu Musa al-Ash'ari: o Mensageiro de Allah disse: muitos homens atingiram a perfeição, mas somente Asiya, a esposa de Faraó, e Maryam bint 'Imran a atingiram; e o mérito de Aisha sobre as mulheres é como o mérito do tharid sobre todos os outros alimentos. É um hadith autêntico como vês: os dois Sheikhs convieram de relatá-lo, e o seu texto exige de restringir a perfeição das mulheres a Maryam e Asiya, mas talvez isso visasse a sua época, visto que cada uma das duas criou um profeta na sua pequena infância: Asiya criou Musa, o interlocutor de Allah, e Maryam criou o seu filho, o servo de Allah e o Seu mensageiro; isso não exclui pois a perfeição das outras nessa comunidade, como Khadija e Fatima: Khadija serviu o Mensageiro de Allah quinze anos antes da profecia, e mais de dez anos depois, e foi para ele um vizir de verdade pela sua pessoa e pela sua fortuna, e Allah a agreou.
Quanto a Fatima, filha do Mensageiro de Allah, foi distinguida dum mérito suplementar sobre as suas irmãs, porque foi atingida pela morte do Mensageiro de Allah, enquanto o resto das suas irmãs morreu da sua vida. Quanto a Aisha: foi a mais amada das esposas do Mensageiro de Allah, e não casou de virgem senão ela, e não se conhece entre as outras mulheres dessa comunidade, nem mesmo alhures, de mais sabedora nem de mais lúcida do que ela; Allah se indignou por ela quando as gentes da mentira disseram o que disseram, e Ele revelou a sua pureza desde os sete céus. E viveu depois do Mensageiro de Allah perto de cinquenta anos, transmitindo o Alcorão e a Sunna da sua parte, rendendo pareceres religiosos aos muçulmanos e reconciliando as gentes divididas; é a mais nobre das mães dos crentes, incluindo Khadija bint Khuwaylid, mãe das filhas e dos meninos, segundo o parecer dum grupo de sábios antigos e tardios, mas o melhor é deter-se entre as duas.
E: o mérito de Aisha sobre as mulheres é como o mérito do tharid sobre todos os outros alimentos pode ser geral em relação às mulheres mencionadas e às outras, e pode ser geral em relação ao que está fora das mulheres mencionadas. E Allah sabe melhor.
O discurso aqui é a menção do que concerne Maryam bint 'Imran: Allah a purificou e escolheu acima das mulheres dos mundos da sua época, e é possível que a sua preferência seja geral sobre todas as mulheres, como o adiantamos. Chegou num hadith que ela seria, ela e Asiya bint Muzahim, do número das esposas do Profeta no Paraíso. Mencionamos no Tafsir a propósito de: das viúvas e das virgens: a viúva é Asiya, e das virgens Maryam bint 'Imran. E mencionamo-lo no fim da surata at-Tahrim. E Allah sabe melhor.
Abdallah ibn Najiya nos relatou; Muhammad ibn Sa'd al-'Awfi nos relatou; meu pai nos relatou; meu tio al-Husayn nos relatou; Younous ibn Nufay' nos relatou, de Sa'd ibn Junada, que é al-'Awfi: o Mensageiro de Allah disse: em verdade Allah casou-me no Paraíso com Maryam bint 'Imran, e a esposa de Faraó, e a irmã de Musa.
Ibrahim ibn 'Ar'ara nos relatou; 'Abd an-Nur ibn 'Abdallah nos relatou; Younous ibn Shu'ayb nos relatou: o Mensageiro de Allah disse: sabes que Allah me casou com Maryam bint 'Imran, e Asiya bint Muzahim, e Kalthum, a irmã de Musa? Ibn Ja'far al-'Uqayli o relatou do hadith de 'Abd an-Nur, e ele disse: apressa-te, ó Mensageiro de Allah. E esse hadith não é preservado.
Muhammad ibn al-Hasan narrou-me, de Ya'la ibn al-Mughira, de Ibn Abi Dawud: o Mensageiro de Allah entrou junto de Khadija durante a sua doença que causou a sua morte: que aflição vejo em ti, ó Khadija, e Allah pode pôr na aflição muito de bem; não sabes que Allah me casou contigo, no Paraíso, Maryam bint 'Imran, e Kalthum, a irmã de Musa, e Asiya, a esposa de Faraó? Allah-Te fez isso para ti, ó Mensageiro de Allah? Sim, disse ela, com o alívio e os filhos. Ibn Asakir relatou, do hadith de Muhammad ibn Zakariyya al-Ghallabi: al-'Abbas ibn Bakkar nos relatou; Abu Bakr al-Hudhali nos relatou, de 'Ikrima, de Ibn 'Abbas: o Mensageiro de Allah entrou junto de Khadija à agonia: ó Khadija, quando encontrares as tuas iguais, transmite-lhes da minha parte a saudação. ó Mensageiro de Allah, e casaste antes de mim? Não, mas Allah casou-me com Maryam bint 'Imran, e Asiya bint Muzahim, e Kalthum, a irmã de Musa.
Ibn Asakir relatou, pela via de Suwayd ibn Sa'id: Muhammad ibn Salih ibn Omar nos relatou, de ad-Dahhak e Mujahid: Jibril desceu para o Mensageiro de Allah com o que com que foi enviado, e sentou-se em conversa com o Mensageiro de Allah, quando Khadija passou: quem é essa, ó Mohamed? É uma veraz da minha comunidade. Jibril disse: tenho comigo, para ela, uma mensagem do Senhor, que a saúda, e lhe anuncia a boa nova duma casa no Paraíso, de qasab, afastada do fogo, sem pena nem tumulto; Allah é a Paz, e d'Ele vem o salutation: e a paz sobre vós dois, e a misericórdia de Allah e as Suas bênçãos. ó Mensageiro de Allah, o que é essa casa de qasab?
Uma pérola oca, entre a casa de Maryam bint 'Imran e a casa de Asiya bint Muzahim, e são ambas as minhas esposas no dia da Ressurreição. A origem da saudação endereçada a Khadija da parte de Allah, e do anúncio que lhe foi feito duma casa no Paraíso de qasab sem tumulto nem pena, está no Sahih, mas esse relato com esses acréscimos é muito estranho; e todos esses hadiths têm cadeias que merecem exame.
Ibn Asakir relatou, do hadith de Abu Zur'a ad-Dimashqi: Abdallah ibn Salih nos relatou; Mu'awiya narrou-me, de Safwan ibn 'Amr, de Khalid ibn Ma'dan, de Ka'b al-Ahbar: Mu'awiya interrogou-o a propósito da rocha, queria dizer a rocha de Bayt al-Maqdis: a rocha está sobre uma palmeira, e a palmeira sobre um rio dos rios do Paraíso, e sob a palmeira encontram-se Maryam bint 'Imran e Asiya bint Muzahim, que tecem as cordas das gentes do Paraíso até que a Hora se erga. Depois relatou-o pela via de Isma'il ibn 'Ayyash, de Tha'laba ibn Mouslim, de Mas'ud, de 'Abd ar-Rahman, de Khalid ibn Ma'dan, de 'Ubada ibn as-Samit, do Profeta, dum relato semelhante. E esse relato é reprovável dessa maneira, é mesmo forjado.
Abu Zur'a o relatou depois, de Abdallah ibn Salih, de Mu'awiya, de Mas'ud ibn 'Abd ar-Rahman, de Ibn 'A'idh: Mu'awiya interrogou Ka'b a propósito da rocha de Bayt al-Maqdis, e ele o descreveu. Que esse discurso seja de Ka'b al-Ahbar é mais verossímil; e esse discurso de Ka'b al-Ahbar, não o encontras senão entre os relatos israelitas, de que uma parte é mentira fabricada, forjada por certos dos seus heréticos ou dos seus ignorantes, e esse faz parte disso. E Allah sabe melhor.
Nascimento do servo e mensageiro Issa ibn Maryam, a pura.
« Menciona, na Escritura, Maryam, quando se retirou da sua família num lugar oriental, e pôs entre eles e ela um véu. Enviamos-lhe o Nosso espírito, que se apresentou a ela sob a forma dum ser humano perfeitamente formado. Ela disse: busco refúgio junto do Misericordioso contra ti, se és piedoso. Ele disse: sou somente o mensageiro do teu Senhor, para te dar um filho puro.
Ela disse: como teria eu um filho, enquanto nenhum homem me tocou, e que não sou uma devassa? Ele disse: assim será; o teu Senhor disse: isso Me é fácil; e para dele fazer um sinal para as gentes, e uma misericórdia da Nossa parte; e era uma coisa decretada. Concebeu-o pois, e retirou-se com ele num lugar afastado. As dores do parto apoderaram-na para o tronco da palmeira.
Ela disse: ai de mim, se morresse antes disso, e que fosse no esquecimento, totalmente esquecida. Então chamou-a de debaixo dela: não te aflijas; o teu Senhor pôs aos teus pés um riacho; e sacode para ti o tronco da palmeira: tâmaras frescas maduras cairão sobre ti; come pois, bebe e rejubila o teu olho; e se vês algum ser humano, dize: votei ao Misericordioso um jejum; não falarei hoje a nenhum ser humano. Veio pois ao seu povo, portando-o. Disseram: ó Maryam, vieste com uma coisa abominável.
ó irmã de Harun, o teu pai não era um homem de mal, e a tua mãe não era uma devassa. Mostrou-lhes pois a criança. Disseram: como falaríamos a um lactente no berço? Ele disse: sou o servo de Allah; Ele deu-me a Escritura e fez-me profeta; e abençoou-me onde quer que eu esteja; e recomendou-me a oração e o zakat tanto que eu viva; e a bondade para com a minha mãe; e não me fez um tirano desgraçado; e o salutação sobre mim no dia em que nasci, no dia em que morrerei e no dia em que serei ressuscitado vivo.
Tal é Issa ibn Maryam: palavra de verdade, a propósito da qual duvidam. Não convém a Allah tomar-Se um filho; glória a Ele; quando decreta uma coisa, diz-lhe somente: sê, e é. E em verdade Allah é o meu Senhor e o vosso Senhor; adorai-O pois; eis uma via reta. Depois os partidos divergiram entre eles; ai pois dos que descridem, à vista dum dia terrível.
»
Surata Maryam, 16-37
O Altíssimo mencionou esse relato depois do relato de Zakariyya, que é dele como a introdução e a aproximação prévia, do mesmo modo que o mencionou na surata Al 'Imran ligando-os num mesmo contexto; e como Ele disse na surata al-Anbiya:
« E Zakariyya, quando invocou o seu Senhor: Senhor, não me deixes só, Tu és o melhor dos herdeiros. Atendemo-lo, e demos-lhe Yahya, e curamos a sua esposa para ele. Apressavam-se para as boas obras, e Nos invocavam por desejo e por temor, e eram humildes diante de Nós. E aquela que guardou a sua castidade: insuflamos nela do Nosso espírito, e fizemos dela e do seu filho um sinal para os mundos.
»
Surata al-Anbiya, 89-91
Já foi dito que Maryam, quando a sua mãe a consagrou, servia a Casa Santa, e que o seu tutor foi o esposo da sua irmã, ou da sua tia materna, o profeta dessa época Zakariyya, e que lhe tinha reservado um santuário, a saber o lugar nobre da mesquita que ninguém entrava, fora dela, sem a sua permissão; e que, chegada à idade, se aplicou à adoração, e não havia a essa época a sua pareilha nas formas de adoração; e que apareceram sobre ela estados dos quais Zakariyya a invejava; e que os anjos lhe endereçaram o anúncio da escolha de Allah para ela, e que lhe concederia um filho puro, que seria um profeta nobre, puro e honrado, sustentado pelos milagres. Espantou-se pois do nascimento dum filho sem pai, porque não tinha marido, e que não era das que se casam. Os anjos informaram-na pois de que Allah é capaz do que Ele quer: sê, e é.
Inclinou-se pois diante disso, voltou a Allah, submeteu-se à Sua ordem, e soube que havia aí para ela uma grande prova, pois as gentes falariam dela por causa disso, não conhecendo a realidade do affaire, não olhando senão a aparência das coisas, sem reflexão nem entendimento. Não saía da mesquita senão ao momento das suas regras, ou por uma necessidade necessária: ir buscar água ou encontrar alimento. Um dia, saiu para certos dos seus assuntos e retirou-se, isto é, isolou-se só, ao oriente da mesquita al-Aqsa, quando Allah lhe enviou o espírito fiel, que se apresentou a ela sob a forma dum ser humano perfeitamente formado. Quando o viu, disse: busco refúgio junto do Misericordioso contra ti, se és piedoso.
Abu al-'Aliya disse: ela sabia que o homem piedoso é aquele que sabe deter-se. E isso refuta a opinião de quem pretendia que havia entre os Bani Israel um homem perverso, célebre pela sua perversidade, nomeado Taqi; pois é uma palavra falsa, sem prova, e das mais leves das palavras. Sou somente o mensageiro do teu Senhor; não sou um ser humano, mas um anjo que Allah me enviou para ti, para te dar um filho puro, isto é, uma criança pura. Como teria eu um filho, ou como me nasceria uma criança, enquanto não tenho marido, e que não sou das que cometem o ato infame?
O anjo respondeu ao seu espanto do nascimento dum filho dela, nesse estado: assim o teu Senhor disse, isto é: prometeu que criará de ti um filho, enquanto não és casada, e que não serás das que se devassam. E isso é fácil para Ele, e leve junto d'Ele: é capaz do que Ele quer. E para dele fazer um sinal para as gentes, isto é: e para fazer da sua criação, nesse estado, uma prova da perfeição do Nosso poder sobre os géneros de criação: pois o Altíssimo criou Adão sem macho nem fêmea, e criou Hawwa dum macho sem fêmea, e criou Issa duma fêmea sem macho, e criou o resto da criação de macho e de fêmea. E uma misericórdia da Nossa parte, isto é: por ele temos misericórdia dos servos, em que ele os chamará para Allah na sua pequena infância e na sua idade madura, na sua infância e na sua maturidade, convidando-os a votar a Allah só a adoração sem associado, e a declará-Lo puro de toda companheira, de filhos, de associados, de rivais, de contradizentes e de iguais.
E era uma coisa decretada: isso pode ser o termo do discurso de Jibril com ela, isto é, que é uma coisa que Allah decretou, irrevogável, predestinada e fixada. É o sentido da palavra de Muhammad ibn Ishaq, que Ibn Jarir escolheu, e que nenhum outro relatou. E Allah sabe melhor.
E era uma coisa decretada é uma alusão ao sopro de Jibril nela, a propósito de Maryam bint 'Imran, aquela que guardou a sua castidade: insuflamos nela do Nosso espírito. Mais de um dos antigos mencionou que Jibril soprou na abertura da sua camisa, e o sopro desceu para o seu sexo, e ela concebeu imediatamente, como concebe a mulher na união com o seu marido.
Quanto a quem disse que soprou na sua boca, ou que aquele que lhe endereçava a palavra era o espírito que se introduziu nela pela sua boca: essa palavra contradiz o que se compreende dos contextos desse relato nas suas ocorrências do Alcorão; pois esse contexto indica que aquele que foi enviado para ela é um anjo entre os anjos, a saber Jibril, e que não fez senão soprar nela, e o anjo não fez face ao seu sexo, mas soprou na sua abertura de camisa, e o sopro desceu para o seu sexo e nele se esgueirou: insuflamos nela do Nosso espírito indica que o sopro nele se introduziu, não na sua boca, como isso foi relatado de Ubayy ibn Ka'b, nem no seu peito, como isso foi relatado por as-Suddi, com a sua cadeia, de certos dos Companheiros. Concebeu-o pois. Concebeu o seu filho e retirou-se com ele num lugar afastado. Isso porque Maryam, quando concebeu, foi incomodada pela gravidez, e soube que muita gente diria palavras a seu respeito.
Mais de um dos antigos mencionou, entre eles Wahb ibn Munabbih, que, quando os sinais da gravidez apareceram sobre ela, o primeiro que disso se apercebeu foi um homem dos adoradores dos Bani Israel, Yusuf ibn Yaqub o carpinteiro, que era o primo materno; e pôs-se disso se espantar fortemente, por causa do que sabia dela: a sua piedade, a sua pureza e a sua adoração; e via-a apesar disso grávida, sem marido. Um dia virou-lhe a palavra no discurso: ó Maryam, pode haver uma sementeira sem semente? Sim. E quem criou a primeira sementeira?
Pode haver uma árvore sem água nem chuva? Sim. E quem criou a primeira árvore? Pode haver uma criança sem macho?
Sim, em verdade Allah criou Adão sem macho nem fêmea. Informe-me pois da tua história. Allah anunciou-me a boa nova duma palavra d'Ele, cujo nome é o Messias, Issa ibn Maryam, ilustre neste mundo baixo e no outro, e do número dos próximos; e falará às gentes no berço e em idade madura, e do número dos justos. E é relatado um relato semelhante de Zakariyya: que a interrogou, e que ela lhe respondeu da mesma maneira.
E Allah sabe melhor.
As-Suddi mencionou, com a sua cadeia, dos Companheiros, que Maryam entrou um dia junto da sua irmã: sabes que estou grávida? E eu também sinto que estou grávida? Abraçou-a: vejo o que está no meu ventre prostrar-se diante do que está no teu ventre, vindo confirmar uma palavra de Allah. E o sentido da prostração aqui é a humildade e a veneração, como a prostração no encontro do salutation, como estava na lei dos que nos precederam, e como Allah ordenou aos anjos prostrarem-se diante de Adão.
Malik disse: chegou-me que Issa ibn Maryam e Yahya ibn Zakariyya eram primos pelas suas mães, e que as suas duas gravidezes foram simultâneas: vejo o que está no meu ventre prostrar-se diante do que está no teu ventre. Vejo isso como a preferência de Issa, porque Allah, o Altíssimo, o fez ressuscitar os mortos, e curar o cego de nascença e o leproso. Relatado por Ibn Abi Hatim. Maryam disse: quando estava só, ele falava-me e conversava comigo, e quando estava entre as gentes, glorificava Allah no meu ventre.
Depois aparece que o portou nove meses, como as mulheres portam e parem a termo da sua gravidez; pois se fosse doutro modo, isso teria sido mencionado. E é relatado de Ibn 'Abbas e de 'Ikrima que o portou oito meses. Não fez senão conceber e parir: portou-o nove horas. Concebeu-o pois e retirou-se com ele num lugar afastado: as dores do parto apoderaram-na para o tronco da palmeira.
O correto é que cada coisa é seguida do que lhe basta, como na Sua palavra: pela manhã, a terra torna-se verde. Depois criamos a gota de esperma em coágulo, e fizemos do coágulo uma massa de carne, e fizemos da carne uns ossos, e revestimos os ossos de carne, depois produzimo-lo numa outra criação: bendito seja Allah, o melhor dos criadores. E é conhecido que entre cada estado há quarenta dias, como isso está estabelecido no hadith fazendo consenso.
Depois a sua história espalhou-se, e espalhou-se entre os Bani Israel que estava grávida; e nenhuma casa recebia tantas visitas como a casa de Zakariyya. E certos heréticos acusaram-na de Yusuf, que adorava com ela na mesquita. Maryam escondeu-se deles, apartou-se deles e retirou-se num lugar afastado. As dores do parto apoderaram-na para o tronco da palmeira, isto é, que as dores a conduziram e a constrangeram para o tronco da palmeira; e esse tronco, segundo o hadith relatado por an-Nasa'i com uma cadeia sem reproche, segundo Anas, remontado ao Profeta, e por al-Bayhaqi com uma cadeia que autenticou, segundo Shaddad ibn Aws, remontado igualmente: é Bayt Lahm, sobre o qual certos dos reis dos Rum construíram depois, como o mencionaremos: esse edifício imenso que se vê.
Ela disse: ai de mim, se morresse antes disso, e que fosse no esquecimento, totalmente esquecida; há nisso uma prova da liceidade de desejar a morte ao momento das provas, pois ela sabia que as gentes a acusariam e não a creriam, tratá-la-iam antes de mentirosa quando viesse a eles com uma criança nos seus braços, enquanto estava entre eles do número das adoradoras devotas, residentes da mesquita, a ela apegadas, em retiro espiritual no seu seio, proveniente da casa da profecia e da piedade, sem nenhum reproche. Então chamou-a de debaixo dela: não te aflijas. A propósito daquele que a chamou, de baixo, do lugar o mais baixo, há dois pareceres: um deles é que é Jibril; é o parecer de al-'Awfi, segundo Ibn 'Abbas. E Issa não falou senão na presença das gentes.
Do mesmo modo disseram Sa'id ibn Jubayr, e 'Amr ibn Maymun, e ad-Dahhak, e as-Suddi, e Qatada. E disseram Mujahid, e al-Hasan, e Ibn Zayd, e Sa'id ibn Jubayr: é o seu filho Issa. E Ibn Jarir o escolheu. Não te aflijas: o teu Senhor pôs aos teus pés um riacho.
Foi dito: é o rio, e é para isso que se dirige a maioria; chegou um hadith a esse propósito relatado por at-Tabarani, mas é fraco; e Ibn Jarir o escolheu, e é o correto. E é relatado de al-Hasan, e de ar-Rabi' ibn Anas, e de Ibn Aslam e outros que é o seu filho. E sacode para ti o tronco da palmeira: tâmaras frescas maduras cairão sobre ti. Mencionou o alimento e a bebida: come pois, bebe e rejubila o teu olho.
Depois foi dito: o tronco da palmeira estava seco, e era uma palmeira em frutos. E Allah sabe melhor. E é possível que fosse uma palmeira, mas que não estivesse em frutos nesse momento, porque o seu nascimento teve lugar no inverno, que não é a estação dos frutos; e isso pode compreender-se da palavra do Altíssimo: tâmaras frescas maduras cairão sobre ti. 'Amr ibn Maymun disse: nada é melhor para as parideiras do que as tâmaras e as tâmaras frescas.
Depois foi recitada essa palavra.
'Ali ibn al-Husayn nos relatou; Shayban nos relatou; Masrur ibn Sa'id at-Tamimi nos relatou; 'Abd ar-Rahman ibn 'Amr al-Awza'i nos relatou, de 'Urwa ibn Ruwaym, de 'Ali ibn Abi Talib: o Mensageiro de Allah disse: honrai a vossa tia, a palmeira, pois foi criada da argila de que Adão foi criado. Ele disse também: alimentai as vossas mulheres de parto de tâmaras frescas; e se não há tâmaras frescas, então tâmaras; e não há árvore mais nobre junto de Allah do que aquela sob a qual desceu Maryam bint 'Imran. Do mesmo modo o relatou Abu Ya'la no seu Musnad, de Shayban ibn Farrukh, de Masruq ibn Sa'id, de Masrur ibn Sa'id at-Tamimi. Ibn 'Adi relatou esse hadith dele, de al-Awza'i; e é reputado por hadiths reprováveis, e não ouvi falar dele, senão nesse hadith: relata de al-Awza'i as manyunas numerosas que não é permitido invocar.
Assim pois: e se vês algum ser humano, dize: votei ao Misericordioso um jejum; não falarei hoje a nenhum ser humano; isso faz parte do termo do discurso daquele que a chamou de debaixo dela. Come pois, bebe e rejubila o teu olho; e se vês algum ser humano, isto é: se vês alguém das gentes, dize-lhe: votei ao Misericordioso um jejum, isto é, um silêncio. E o jejum da sua lei compreendia a abstinência de palavra e de alimento; é o parecer de Qatada, e de as-Suddi, e de Ibn Aslam. Não falarei hoje a nenhum ser humano: quanto à nossa lei, é reprovável para quem jejua guardar o silêncio um dia inteiro.
Veio pois ao seu povo, portando-o. Disseram: ó Maryam, vieste com uma coisa abominável. ó irmã de Harun, o teu pai não era um homem de mal, e a tua mãe não era uma devassa. Muitos dos antigos, que relatam das gentes do Livro, mencionaram que, quando notaram a sua ausência entre eles, partiram à sua busca, e passaram diante do seu lugar, com as luzes em volta dela; e quando a encontraram e encontraram com ela a sua criança: ó Maryam, vieste com uma coisa abominável, isto é, um affaire grande e reprovável. E o seu discurso merece exame, tanto mais que se trata de palavras de que o começo refuta o fim; porque a evidência do contexto corânico indica que ela mesma o portou, e veio ao seu povo portando-o, e isso depois de se ter reerguido dos seus partos depois de quarenta dias.
O discurso é que, quando a viram portando consigo a sua criança, disseram: ó Maryam, vieste com uma coisa abominável; e a friya é o ato reprovável e grande entre os atos e as palavras. ó irmã de Harun: foi dito que a compararam a uma adoradora da sua época de quem igualava a adoração, e que se nomeava Harun. Compararam-na a um homem vicioso da sua época nomeado Harun; é o parecer de Sa'id ibn Jubayr. Quiseram dizer por Harun o irmão de Musa, e compararam-no a ele na adoração.
Muhammad ibn Ka'b al-Qurazi enganou-se pretendendo que ela era irmã de Musa e de Harun pelo sangue, pois entre eles há longas épocas que mesmo o mais ignorante dos sábios não saberia desconhecer, o que refuta essa palavra odiosa; e é como se a Tora o tivesse enganado, onde está dito que Maryam, irmã de Musa e de Harun, bateu o tamborim no dia em que Allah salvou Musa e o seu povo, e afogou Faraó e o seu povo: creu pois que essa era aquela; e isso é dos mais falsos e contraditório ao hadith autêntico, como com o texto do Alcorão, como o estabelecemos longamente no Tafsir; a Allah o louvor e o favor. Chegou o hadith autêntico indicando que tinha um irmão nomeado Harun; e nada, no relato do seu nascimento e da consagração pela sua mãe, indica que não tenha outro irmão que ele. E Allah sabe melhor.
Abdallah ibn Idris nos relatou: ouvi o meu pai mencioná-lo, de Simak, de 'Alqama ibn Wa'il, de al-Mughira ibn Shu'ba: o Mensageiro de Allah enviou-me: vês o que lês: ó irmã de Harun, e que Musa foi bem antes de Issa de tanto e tanto. Voltei pois, e relatei isso ao Mensageiro de Allah, que disse: não lhes disseste que se nomeavam dos profetas e dos justos que os precederam? Do mesmo modo o relataram Muslim, e an-Nasa'i, e at-Tirmidhi, do hadith de Abdallah ibn Idris: hadith bom e autêntico, raro, que não conhecemos senão dele. Não lhes disseste que se nomeavam dos seus justos e dos seus profetas? E Qatada e outros mencionaram que se nomeavam muitas vezes de Harun; assistiu a certos dos seus funerais, e viu uma grande multidão de gentes nomeadas Harun: quarenta mil. E Allah sabe melhor.
ó irmã de Harun: e o hadith indica que tinha um irmão pelo sangue nomeado Harun. O teu pai não era um homem de mal, e a tua mãe não era uma devassa, isto é: não és dessa casa de quem esse é o carácter, nem da sua afeição: nem o teu irmão, nem a tua mãe, nem o teu pai. Acusaram-na pois da infâmia maior, e trataram-na da desgraça das desgraças. Ibn Jarir mencionou no seu Tafsir que suspeitaram de Zakariyya a esse assunto, e quiseram matá-lo; fugiu diante deles, alcançaram-no; uma árvore fendeu-se para ele e nela entrou, e Iblis agarrou a borda do seu vestido e o rasgaram com ele, como já o dissemos.
Entre os hipócritas, houve quem o acusasse do filho do primo materno, Yusuf ibn Yaqub o carpinteiro. Quando a situação se tornou estreita, o campo apertado e a palavra impossível, a confiança no Eterno cresceu: endereçai-vos a ele, falai-lhe, pois a vossa resposta está sobre ele, e o que buscais de palavra está junto dele. Como falaríamos a um lactente no berço? Isto é: como nos eludes virando a resposta para um lactente que não compreende o discurso, que é ainda um lactente no seu berço, não distinguindo o puro da sua escuma?
Não é da tua parte senão zombaria e ironia, denegrimento e desprezo, visto que não nos respondes duma palavra articulada, mas nos eludes virando a resposta para aquele que estava no berço, um lactente. Então ele disse: sou o servo de Allah; Ele deu-me a Escritura e fez-me profeta; e abençoou-me onde quer que eu esteja; e recomendou-me a oração e o zakat tanto que eu viva. É a primeira palavra que Issa ibn Maryam pronunciou: a primeira coisa que disse foi: sou o servo de Allah. Reconheceu para com o seu Senhor o Altíssimo a servidão, e que Allah é o seu Senhor; declarou pois Allah puro da palavra dos injustos que pretendem que é o filho de Allah: ele é o Seu servo e o Seu mensageiro, e o filho da Sua serva.
Depois desculpou a sua mãe do que os ignorantes lhe imputaram, caluniando-a e tratando-a de adúltera: Ele deu-me a Escritura e fez-me profeta; pois Allah não dá a profecia a quem é como eles pretendem; que Allah os maldiga e os torne feios; e em razão da sua descrença e da sua palavra sobre Maryam, uma calúnia imensa: ela teria concebido do adultério em tempo de regras; que Allah os maldiga. Allah pois a desculpou disso, informou que era veraz, e fez do seu filho um profeta enviado, um dos cinco grandes dotados de resolução. E abençoou-me onde quer que eu esteja: isso porque, onde quer que estivesse, chamava a adorar Allah só, sem associado, e declarava a Sua glória de toda falta e defeito: associação duma companheira e dum filho: muito acima e muito santo seja Ele.
E recomendou-me a oração e o zakat tanto que eu viva: é a função dos servos: cumprir o direito do Eterno, o Digno de louvor, pela oração, e a beneficência para com a criatura pelo zakat, que compreende a purificação das almas dos vícios, e a purificação dos bens abundantes pela doação aos necessitados, de todas sortes, a hospitalidade aos hóspedes, as despesas pelas esposas, os escravos, os pais, e o resto das obediências e das formas de piedade. E a bondade para com a minha mãe, e não me fez um tirano desgraçado, isto é: e fê-me bom filho para com a minha mãe; e isso porque o seu direito sobre ele foi afirmado, em razão da unicidade do seu lado, pois não tem pai fora dela. Glória pois Àquele Que criou a criatura, a formou, e deu a cada alma a sua guia. Não sou rudo nem grosseiro: nenhuma palavra nem ação contrária à ordem de Allah e à Sua obediência de mim sairia.
E o salutação sobre mim no dia em que nasci, no dia em que morrerei e no dia em que serei ressuscitado vivo: são os três momentos de que o discurso foi adiantado no relato de Yahya ibn Zakariyya. Depois, quando o Altíssimo mencionou a sua história claramente, expôs o seu affaire, esclareceu-o e desenvolveu-o: tal é Issa ibn Maryam: palavra de verdade, a propósito da qual duvidam. Não convém a Allah tomar-Se um filho; glória a Ele; quando decreta uma coisa, diz-lhe somente: sê, e é; do mesmo modo que disse depois da menção da sua história: tal é, to recitamos: dos versículos, e do Lembrete cheio de sabedoria.
Em verdade, Allah é o meu Senhor e o vosso Senhor; adorai-O pois; eis uma via reta: depois os partidos divergiram entre eles; ai pois dos que descridem, à vista dum dia terrível. Não convém a Allah tomar-Se um filho; glória a Ele; quando decreta uma coisa, diz-lhe somente: sê, e é; do mesmo modo que disse o Altíssimo depois da menção da sua história: tal é Issa ibn Maryam, to recitamos duma verdade.
« Em verdade, a parábola de Issa junto de Allah é como a de Adão: criou-o de pó, depois disse-lhe: sê, e foi. A verdade vem do teu Senhor; não sejas pois dos que duvidam. A quem quer que dispute contigo sobre isso, depois do que te veio do saber, dize: vinde, chamemos os nossos filhos e os vossos filhos, as nossas mulheres e as vossas mulheres, nós mesmos e vós mesmos; depois oremos e chamemos a maldição de Allah sobre os mentirosos. Em verdade, isto é o relato verídico; e não há divindade senão Allah; e em verdade Allah é o Eterno, o Sábio.
E se se desviam, Allah conhece bem os semeadores de corrupção. »
Surata Al 'Imran, 59-62
É por isso que, quando a delegação de Najran veio, e contava sessenta cavaleiros, de quem o affaire se resumia a catorze, e o affaire de todos a três, que eram os seus nobres e os seus chefes: al-'Aqib, e as-Sayyid, e Abu Haritha ibn 'Alqama; puseram-se a disputar a propósito do Messias. Allah revelou pois a abertura da surata Al 'Imran a esse assunto, expôs o affaire do Messias, o começo da sua criação e o da criação da sua mãe antes dele, e ordenou ao Seu mensageiro desafiá-los em mubahala se não respondessem ao seu chamado e não o seguissem. Quando viram os seus olhos e as suas orelhas, esvaziaram-se, abstiveram-se da mubahala, e voltaram-se para o entendimento e a paz. O seu porta-voz disse: ó assembleia dos cristãos, sabeis que Mohamed é um profeta enviado, e que veio a vós com a exposição da história do vosso companheiro, e sabeis que nenhum povo jamais desafiou pela maldição um profeta: resta o grande entre eles, e o pequeno não nasce; e haverá aí extermínio para vós, se o fizerdes.
Se pois vos obstinais na vossa religião e na posição que mantendes a propósito do vosso companheiro, então deixai esse homem e retornai ao vosso país. Pediram isso ao Mensageiro de Allah, e suplicaram-lhe que lhes impusesse a jizya, e que enviasse com eles um homem de confiança; enviou-lhes Abu 'Ubayda ibn al-Jarrah. Expusemos isso no Tafsir de Al 'Imran, e o desenvolvimento desse affaire virá na sira profética desse livro, se Allah, o Altíssimo, o quiser; é n'Ele a confiança.
O discurso é que Allah, o Altíssimo, quando expôs o affaire do Messias: tal é Issa ibn Maryam: palavra de verdade, a propósito da qual duvidam, isto é, que é um servo criado duma mulher entre os servos de Allah. Não convém a Allah tomar-Se um filho; glória a Ele; quando decreta uma coisa, diz-lhe somente: sê, e é, isto é, que nada O faz falhar, não O accabe nem O fadiga: Ele é o Capaz, o Agente segundo o que quer: o Seu mandamento, quando quer uma coisa, é somente dizer-lhe: sê, e é. E: menciona, na Escritura, Musa; era verdadeiramente eleito, e era um mensageiro, um profeta: isso faz parte do termo do discurso de Issa a eles no berço: informou-os de que Allah é o seu Senhor e o seu Senhor, a sua divindade e a sua divindade, e que isso é a via reta.
Depois os partidos divergiram entre eles; ai pois dos que descridem, à vista dum dia terrível, isto é: as gentes dessa época divergiram, e os que vieram depois deles a seu assunto: ele é a criança duma adúltera. E perseveraram na sua descrença e na sua obstinação: ele é Allah. Ele é o filho de Allah.
Ele é o servo de Allah e o Seu mensageiro, e o filho da Sua serva, e a Sua palavra que lançou para Maryam, e um espírito d'Ele. Esses são os salvos, os recompensados, os sustentados e os socorridos; e quem contradiz um só desses atributos é dos descrentes, dos injustos, dos desviados e dos ignorantes; e o Eterno, o Imenso, o Sábio, o Onisciente ameaçou-os: ai pois dos que descridem, à vista dum dia terrível.
Sadaqa ibn al-Fadl nos relatou; al-Walid informou-nos; al-Awza'i nos relatou; Umayr ibn Hani' narrou-me; Junada ibn Abi Umayya narrou-me, de 'Ubada ibn as-Samit, que diz: quem atesta que não há divindade senão Allah, só, sem associado, e que Mohamed é o Seu servo e o Seu mensageiro, e que Issa é o servo de Allah e o Seu mensageiro, e a Sua palavra que lançou para Maryam e um espírito d'Ele, e que o Paraíso é verdade e o Fogo verdade, Allah fá-lo-á entrar no Paraíso por uma das oito portas que ele quiser. E Muslim o relatou, de Dawud ibn Rashid, de al-Walid, de Ibn Jabir, com esse texto, e por outra via de al-Awza'i com esse texto.
« E disseram: o Misericordioso tomou-Se um filho. Vindes certamente de cometer uma coisa enorme: quase os céus se fendem disso, e a terra se fende, e as montanhas desabam em ruínas, de que atribuíram ao Misericordioso um filho. Não convém ao Misericordioso tomar-Se um filho; todos os que estão nos céus e sobre a terra não vêm ao Misericordioso senão como servos. Certamente os denominou e contou-os duma conta precisa; e todos virão a Ele, no Dia da Ressurreição, um cada um.
»
Surata Maryam, 88-95
Torna-se claro que ao Altíssimo o filho não Lhe convém, porque Ele é o criador de toda coisa e o seu proprietário, e que toda coisa é pobre diante d'Ele, submetida e humilhada junto d'Ele, e que todos os habitantes dos céus e da terra são os Seus servos, e que Ele é o seu Senhor: não há divindade senão Ele, e não há Senhor fora d'Ele. E fizeram dos jinn associados a Allah, enquanto os criou, e forjaram-Lhe filhos e filhas, sem saber; glória a Ele, e que esteja muito acima do que descrevem. Criador dos céus e da terra: como teria Ele um filho, enquanto não tem companheira? Criou toda coisa, e sabe toda coisa. Tal é Allah, o vosso Senhor: não há divindade senão Ele: criador de toda coisa: adorai-O pois; Ele é garantia de toda coisa. Os olhares não O podem atingir, enquanto Ele atinge os olhares; Ele é o Sutil, o Informado.
Torna-se claro que Ele é o criador de toda coisa: como teria Ele um filho? E o filho não vem senão de dois seres proporcionados; e Allah, o Altíssimo, não tem parecido, nem semelhante, nem igual, nem companheira: não tem pois filho.
« Dize: Ele é Allah, o Único; Allah, o Impenetrável; não gerou, e não foi gerado; e ninguém é o Seu igual. »
Surata al-Ikhlas, 1-4
Está pois estabelecido que não tem parecido na Sua essência, nem nos Seus atributos, nem nos Seus atos: o Impenetrável, a saber o Mestre que atingiu a perfeição no Seu saber, a Sua sabedoria, a Sua misericórdia e todos os Seus atributos: não gerou, e não foi gerado douma coisa antes d'Ele, e não tem igual, nem equivalente, nem parecido; negou pois o parecido, o igual e o equivalente, e é assim excluído que tenha um filho, visto que o filho não vem senão de dois seres iguais ou próximos; e Allah esteja muito acima disso, muito alto.
E Ele é muito santo: ó gentes do Livro, não excedais os limites na vossa religião, e não digais sobre Allah senão a verdade. O Messias, Issa ibn Maryam, não é senão o mensageiro de Allah, e a Sua palavra que lançou para Maryam, e um espírito d'Ele. Crede pois em Allah e nos Seus mensageiros, e não digais: três; cessai: melhor para vós; Allah não é senão uma divindade única; glória a Ele, que tenha um filho! A Ele pertence o que está nos céus e o que está sobre a terra; e Allah basta como garantia.
« O Messias jamais desprezará de ser o servo de Allah, nem os anjos próximos; quem despreza a Sua adoração e se ensoberbece, Ele os reunirá todos para Ele. Quanto aos que creram e fizeram as boas obras, dar-lhes-á as suas recompensas plenas, e neles acrescentará do Seu favor; e quanto aos que desprezam e se ensoberbecem, castigá-los-á dum castigo doloroso, e não encontrarão para si, fora de Allah, nem protetor nem socorredor. »
Surata an-Nisa, 172-173
O Altíssimo interdita às gentes do Livro, e a quem se lhes parece, o excesso e a lisonja na religião, que é o transbordamento do limite: os cristãos, que Allah os maldiga, fizeram excesso e lisonja a propósito do Messias até transbordar o limite: incumbia-lhes crer que ele é o servo de Allah e o Seu mensageiro, e o filho da Sua serva virgem e pura, que guardou a sua castidade: Allah enviou pois o anjo Jibril para ela, que soprou nela, pela ordem de Allah, um sopro do qual concebeu o seu filho Issa; e o que lhe veio do anjo é o espírito, atribuído a Allah numa atribuição de honra e de nobreza: e é criado entre as criaturas de Allah, o Altíssimo, como a casa de Allah, e a camela de Allah, e o servo de Allah.
O espírito de Allah foi-lhe atribuído em honra e em nobreza, e Issa foi nomeado por ele, porque foi por ele, sem pai; e é também a palavra pela qual foi criado, e graças à qual existiu: em verdade, a parábola de Issa junto de Allah é como a de Adão: criou-o de pó, depois disse-lhe: sê, e foi. E: disseram: Allah tomou-Se um filho; glória a Ele; antes, a Ele pertence o que está nos céus e sobre a terra; todos Lhe são devotos. Criador dos céus e da terra; e quando decreta uma coisa, diz-lhe somente: sê, e é. E os judeus disseram: 'Uzayr é o filho de Allah, e os cristãos disseram: o Messias é o filho de Allah; tal é a sua palavra pelas suas bocas; imitam a palavra dos que descridam antes deles; que Allah os combata: como são desviados.
O Altíssimo informou que os judeus e os cristãos, sobre eles a maldição de Allah, cada um dos dois grupos pretendeu sobre Allah uma desmesura, e sustentou que Ele tem um filho; Allah esteja muito acima do que dizem, muito alto; e informou que não têm nenhum fundamento no que pretendem, nem no que se improvisam, senão a simples palavra e a imitação dos que os precederam nessa palavra desviada: os seus corações se parecem. Quanto aos filósofos, que Allah os maldiga, pretenderam que o intelecto primeiro emana da existência necessária, de que nomeiam a causa das causas e o princípio primeiro; e que do intelecto primeiro emana um segundo intelecto, e uma alma, e uma esfera; depois do segundo do mesmo modo, até que os intelectos atinjam dez, as almas nove, e as esferas nove: segundo considerações falsas que mencionaram, e escolhas pastosas que adiantaram; e para desenvolver o discurso com eles e mostrar a sua ignorância e a fraqueza do seu entendimento, há um outro lugar.
E do mesmo modo grupos dos associadores dos árabes: pretenderam, pela sua ignorância, que os anjos são as filhas de Allah, e que Se tinha aliado por casamento às mulheres dos jinn, e que os anjos nasceram deles dois: Allah esteja muito acima do que dizem. E fizeram dos anjos, que são os servos do Misericordioso, umas fêmeas; assistiram à sua criação: o seu testemunho será escrito, e serão interrogados.
E: disseram: o Misericordioso tomou-Se um filho; glória a Ele; antes: são servos honrados; não se adiantam à Sua palavra, e agem segundo a Sua ordem. Ele sabe o que está diante deles e atrás deles, e não intercedem senão por quem Ele agrada, e tremem do Seu temor. E quem entre eles disse: sou uma divindade fora d'Ele, retribuir-lhe-emos pela Geena; assim retribuímos os injustos. E o Altíssimo disse à abertura da surata al-Kahf: louvor a Allah, Que fez descer sobre o Seu servo o Livro, e nele não fez tortuosidade; firme, para advertir da Sua parte uma violência severa, e anunciar a boa nova aos crentes que fazem as boas obras de que há para eles uma bela recompensa, na qual permanecerão eternamente, e advertir os que disseram: Allah tomou-Se um filho. Não têm a esse assunto nenhuma ciência, nem eles, nem os seus pais: que palavra enorme sai das suas bocas; não dizem senão mentira.
Disseram: Allah tomou-Se um filho; glória a Ele; Ele é o Bastante; a Ele pertence o que está nos céus e sobre a terra. Não tendes prova nesse assunto: dizeis sobre Allah o que não sabeis? Dize: em verdade, os que forjam a mentira contra Allah não lograrão; desfrute neste mundo, depois para Nós é o seu retorno; depois far-lhes-emos saborear o castigo severo, em razão da sua descrença.
Esses versículos mequenses nobres englobam a resposta a todas as seitas dos descrentes: dos filósofos, dos associadores dos árabes, dos judeus e dos cristãos, que pretenderam, sem saber, que Allah tem um filho; glória a Ele, e que esteja muito acima do que dizem os injustos transgressores, muito alto.
Os cristãos, sobre eles a maldição de Allah, sendo os mais em vista dessa palavra, persistindo até o Dia da Ressurreição, foram muito mencionados no Alcorão, para lhes responder, mostrar a sua contradição, a fraqueza do seu saber e a abundância da sua ignorância. E as suas palavras sobre a sua descrença multiplicaram-se, porque o falso é remado, divergente e contraditório, enquanto a verdade não diverge e não vacila: e se viesse de fora de Allah, nele encontrariam uma divergência abundante. Aparece pois que a verdade se unifica e se accorda, e o falso diverge e vacila. Um grupo dos seus desviados e ignorantes sustentou que o Messias é Allah; Allah seja muito alto. É o filho de Allah; Allah seja nobre. É o terceiro de três; Allah seja elevado. Allah, o Altíssimo, disse à abertura da surata al-Ma'ida:
« Certamente são descrentes os que dizem: em verdade, Allah é o Messias, ibn Maryam. Dize: quem pois detém, para com Allah, um poder que O impediria, se Ele quisesse, de fazer perecer o Messias, ibn Maryam, a sua mãe, e todos os que estão sobre a terra? A Allah pertence a realeza dos céus, da terra e do que entre eles dois está; cria o que quer, e Allah é capaz de toda coisa. »
Surata al-Ma'ida, 17
O Altíssimo informou da sua descrença e da sua ignorância, e mostrou que Ele é o Criador capaz de toda coisa, Que dispõe de toda coisa, e que Ele é o Senhor de toda coisa, o seu Rei e a sua divindade. Certamente são descrentes os que dizem: em verdade, Allah é o Messias, ibn Maryam. E o Messias disse: ó Bani Israel, adorai Allah, o meu Senhor e o vosso Senhor; em verdade, quem dá a Allah um associado, Allah lhe interdita o Paraíso, e o seu refúgio será o Fogo; e os injustos não têm socorredores. Certamente são descrentes os que dizem: em verdade, Allah é o terceiro de três, enquanto não há divindade senão uma divindade única; e se não cessam o que dizem, um castigo doloroso tocará os que entre eles descreram.
Não retornarão pois para Allah, e não pedirão perdão a Ele? Allah é o Grande Perdoador, o Misericordioso. O Messias, ibn Maryam, não é senão um mensageiro; mensageiros passaram antes dele; e a sua mãe era uma veraz; ambos comiam do alimento; olha como claramente lhes mostramos os sinais, depois olha como são desviados.
O Altíssimo julgou-os descrentes segundo a lei e o decreto, e informou que isso emanava deles, enquanto o mensageiro para eles, a saber Issa ibn Maryam, lhes tinha mostrado que é um servo mantido, criado, formado no seio, chamando a adorar Allah só, sem associado, e ameaçou-os pelo contrário disso do Fogo, a ausência de êxito na morada da estadia, a ignomínia na outra morada, o aviltamento e a vergonha: em verdade, quem dá a Allah um associado, Allah lhe interdita o Paraíso, e o seu refúgio será o Fogo; e os injustos não têm socorredores. Depois disse: certamente são descrentes os que dizem: em verdade, Allah é o terceiro de três, enquanto não há divindade senão uma divindade única.
Ibn Jarir e outros disseram: o que isso visa é a sua palavra sobre as três hipóstases: a hipóstase do Pai, a hipóstase do Filho, e a hipóstase da palavra emanada do Pai para o Filho, segundo as suas divergências entre a seita malekita, isto é, melquita, e os jacobitas e os nestorianos, sobre eles a maldição de Allah; mostraremos a maneira das suas divergências a esse assunto, e os seus três concílios à época de Qustantin ibn Qastas, que foi trezentos anos depois do Messias, e trezentos anos antes da missão de Mohamed. E: enquanto não há divindade senão uma divindade única, isto é: não há divindade senão Allah só, sem associado, sem parecido, sem igual e sem companheira, sem filho. E se não cessam o que dizem, um castigo doloroso tocará os que entre eles descreram. Depois chamou-os, pela Sua misericórdia e a Sua brandura, ao arrependimento e ao pedido de perdão desses affaires graves e imensos que merecem o Fogo: não retornarão pois para Allah, e não pedirão perdão a Ele?
Allah é o Grande Perdoador, o Misericordioso. Depois expôs o estado do Messias e da sua mãe: que é um servo, um mensageiro, e que a sua mãe é uma veraz, isto é, que não é devassa, como dizem os judeus, que Allah os maldiga; e há nisso uma prova de que ela não é profetisa, como pretendeu um grupo dos nossos sábios. Ambos comiam do alimento: alusão à sua saída, ambos, como sai o resto das gentes; e quem está nesse grau, como seria uma divindade? Allah esteja muito acima da sua palavra e da sua ignorância, muito alto.
O que visa a Sua palavra: certamente são descrentes os que dizem: em verdade, Allah é o terceiro de três, é a sua pretensão a propósito de Issa e da sua mãe, de que são duas divindades com Allah; como mostrou o Altíssimo julgando a sua descrença pela Sua palavra ao fim dessa nobre surata:
« E quando Allah disser: ó Issa ibn Maryam, és tu quem disse às gentes: tomai-me, a minha mãe e eu, por duas divindades fora de Allah? Ele dirá: glória a Ti; não me pertence dizer o que não tenho o direito de dizer; se o tivesse dito, Tu o terias sabido; sabes o que há em mim, e eu não sei o que há em Ti; em verdade, Tu és o Grande Conhecedor dos invisíveis. Não lhes disse senão o que me ordenavas: adorai Allah, o meu Senhor e o vosso Senhor; e era testemunha sobre eles tanto que estive entre eles; depois quando me tiver recordado para Ti, Tu foste Tu o seu observador; e és testemunha de toda coisa. Se os castigas, são os Teus servos; e se lhes perdoas, em verdade Tu és o Eterno, o Sábio.
»
Surata al-Ma'ida, 116-118
O Altíssimo informa de que interrogará Issa ibn Maryam no Dia da Ressurreição, em maneira de o honrar, e de escarnecer e reprochar aos Seus adoradores, aqueles que sobre ele mentiram, forjaram, e pretenderam que é o filho de Allah, ou que é Allah, ou que é o Seu associado; Allah esteja muito acima do que dizem. Interrogá-lo-á pois, enquanto sabe que disso não é: és tu quem disse às gentes: tomai-me, a minha mãe e eu, por duas divindades fora de Allah? Ele dirá: glória a Ti, isto é: estás demasiado acima de ter um associado; isto, ninguém outro que Tu não o merece. Se o tivesse dito, Tu o terias sabido; sabes o que há em mim, e eu não sei o que há em Ti; em verdade, Tu és o Grande Conhecedor dos invisíveis; e isso é uma grande polidez no interrogatório e na resposta.
Não lhes disse senão o que me ordenavas, quando me enviaste para eles e revelaste sobre mim o Livro que se lhes recitava: adorai Allah, o meu Senhor e o vosso Senhor, isto é: o meu criador e o vosso criador, o meu provedor e o vosso provedor. Elevaste-me para Ti quando quiseram matar-me e crucificar-me; tiveste piedade de mim e salvaste-me deles, e lançaste a minha imagem sobre um deles, até que dele se vingassem. Quando isso foi, Tu foste Tu o seu observador; e és testemunha de toda coisa. Depois disse, em maneira de remessa ao Senhor: se os castigas, são os Teus servos, isto é: e merecem isso.
E se lhes perdoas, em verdade Tu és o Eterno, o Sábio; e essa remessa e esse envio à vontade, acompanhados da condição, não exigem que isso se produza: em verdade, Tu és o Eterno, o Sábio, o Grande Perdoador, o Misericordioso.
Mencionamos no Tafsir o que relatou o imã Ahmad, segundo Abu Dharr: que o Mensageiro de Allah disse: se os castigas, são os Teus servos; e se lhes perdoas, em verdade Tu és o Eterno, o Sábio; e ele disse: pedi ao meu Senhor a intercessão pela minha comunidade, e Ele ma concedeu; será atingida, se Allah quiser. E: Não criamos o céu, a terra e o que entre eles dois está por jogo; se quiséssemos tomar uma distração, t-la-íamos tomado da Nossa parte, se fôssemos dos faixadores. Antes: lançamos o verdadeiro contra o falso, e ei-lo que o quebra, e ei-lo aniquilado; e ai de vós pelo que descreveis. E a Ele pertence quem está nos céus e sobre a terra; e os que estão junto d'Ele não se ensoberbecem de orgulho ao ponto da Sua adoração, e não se fatigam; glorificam-No noite e dia, sem enfraquecer.
Se Allah tivesse querido tomar-Se um filho, teria escolhido do que cria o que Ele quisesse; glória a Ele; Ele é Allah, o Único, o Dominador. Criou os céus e a terra em verdade; enrola a noite sobre o dia, e enrola o dia sobre a noite; e sujeitou o sol e a lua: cada um corre para um termo nomeado; não é Ele o Eterno, o Grande Perdoador? Dize: se o Misericordioso tivesse um filho, seria eu o primeiro dos adoradores. Glória ao Senhor dos céus e da terra, Senhor do Trono, acima do que descrevem.
E: dize: louvor a Allah, Que não Se tomou filho, e não tem associado na realeza, e não tem aliado de humilhação; e celebra a Sua grandeza com grandeza. Dize: Ele é Allah, o Único; Allah, o Impenetrável; não gerou, e não foi gerado; e ninguém é o Seu igual. E está estabelecido no hadith, segundo o Mensageiro de Allah, que ele disse: Allah, o Altíssimo, diz: o filho de Adão Me insultou, enquanto isso não lhe é devido; pretende que Eu tenho um filho, enquanto sou o Único, o Impenetrável, que não gerei, nem fui gerado, e não tenho igual. E há no Sahih igualmente, segundo o Mensageiro de Allah: ninguém é mais paciente do que Allah diante do mal que Ele ouve; dão-Lhe um filho, enquanto Ele os prove e os cura.
Mas está estabelecido no Sahih igualmente, segundo o Mensageiro de Allah: em verdade, Allah deixa correr o injusto; e eis a agarra do teu Senhor quando agarra as cidades injustas: em verdade, a Sua agarra é dolorosa, severa. E quantas cidades deixámos correr enquanto eram injustas, depois as agarramos; e para Nós é o retorno. Deixá-los-emos desfrutar um pouco, depois constrangê-los-emos a um castigo rude. Dize: em verdade, os que forjam a mentira contra Allah não lograrão; desfrute neste mundo, depois para Nós é o seu retorno; depois far-lhes-emos saborear o castigo severo, em razão da sua descrença.
Deixa pois os descrentes; remete-lhes um remetido lento.
Origem de Issa ibn Maryam, e exposição do começo da revelação para ele da parte de Allah, o Altíssimo.
Já foi dito que nasceu em Bayt Lahm, perto de Bayt al-Maqdis; e Wahb ibn Munabbih sustentou que nasceu no Egito, e que Maryam viajou, ela e Yusuf ibn Yaqub o carpinteiro, montando uma jumenta. Não há nada entre eles e a infame acusação; e isso não se tem: e o hadith mencionado acima é uma prova de que o seu nascimento foi em Bayt Lahm, como o dissemos; e o que quer que lhe contradiga é falso.
Wahb ibn Munabbih mencionou que, quando nasceu, os ídolos caíram nesse dia aos orientes da terra e aos seus ocidentais, e que os diabos foram perturbados a esse assunto, até que Iblis o grande lhes desvendasse o affaire de Issa: encontraram-no no regaço da sua mãe, com os anjos que o cercavam; e que uma grande estrela apareceu no céu, e que o rei dos persas se assustou do seu aparecimento, e interrogou os adivinhos a esse assunto; responderam-lhe que era o nascimento dum grande sobre a terra. Enviou pois os seus mensageiros, com ouro, mirra e incenso, como dón para Issa. Quando chegaram na Síria, o rei desta os interrogou sobre o que os trazia; relataram-lho; interrogou sobre a época; e é a essa que nasceu Issa ibn Maryam em Bayt al-Maqdis, e o seu affaire espalhou-se por causa do seu discurso no berço. Enviou-os pois para ele com o que tinham, e enviou com eles alguém para lho reconhecer, a fim de lograr matá-lo quando deles se tivessem afastado.
Quando chegaram junto de Maryam com os dóns, e repartiram, aquele que tinha sido enviado disse: em verdade, os mensageiros do rei da Síria não vieram senão para matar o teu filho. Portou-o pois, e partiu com ele para o Egito, e aí residiu até que a sua idade atingisse doze anos, e milagres e prodígios apareceram dele na sua pequena infância. Ela mencionou entre eles que o senhor territorial junto do qual residiram perdeu um bem da sua casa; e a sua casa não era habitada senão pelos pobres, os fracos e os necessitados; não soube quem o tinha tomado, e isso pesou sobre Maryam, e foi penoso para as gentes e para o mestre da casa, e o seu affaire os fatigou. Quando Issa viu isso, endereçou-se a um homem cego, e a um outro paralítico, entre os que frequentavam o lugar: porta esse paralítico, e ergue-o.
Não posso fazer isso. Sim, do mesmo modo como fizeste, tu e ele, quando tomastes esse bem dessa cova da casa. Quando disse isso, confirmaram a sua palavra, e voltaram com o bem: Issa tornou-se grande aos olhos das gentes, embora fosse muito pequeno.
Entre isso também: o filho do senhor territorial preparou uma hospitalidade para as gentes em razão da pureza dos seus filhos. Quando as gentes se reuniram e que as alimentou, quis depois dar-lhes uma bebida, queria dizer vinho, como deles faziam a essa época; não encontrou nada nas suas bilhas. Isso lhe foi penoso; e quando Issa viu isso dele, levantou-se e pôs-se a passar diante dessas bilhas, a sua mão passando sobre as suas aberturas; e não fazia isso sobre nenhuma bilha sem que fosse cheia duma bebida das melhores bebidas. As gentes disso muito se espantaram, magnificaram-no, e ofereceram-lhe, a ele e à sua mãe, um bem abundante; recusaram-no, e partiram para Bayt al-Maqdis. E Allah sabe melhor.
Uthman ibn as-Saji e outros informaram-nos, de Musa ibn Wardan, de Abu Nadra, de Abu Sa'id; e de Makhul: a primeira vez que Allah desatou a língua de Issa ibn Maryam, depois do discurso que pronunciou criança, glorificou Allah duma glorificação de que os ouvidos nunca tinham ouvido parecida: Allah, Tu és o Próximo na Tua altura, o Elevado na Tua proximidade, o Elevado acima de toda coisa da Tua criação; Tu és Aquele Que criou sete céus no ar pelas Tuas palavras, umas abóbadas harmoniosas; vi-os então que eram fumo da Tua fenda; vieram dóceis à Tua ordem, e neles estão os Teus anjos que glorificam a Tua santidade pela Tua santificação; e neles puseste uma luz sobre a negridão das trevas, e um clarão da luz do sol no dia; e neles puseste o trovão glorificando pelo louvor; pela Tua nobreza, dissipa a luz das Tuas trevas; e neles puseste umas lâmpadas graças às quais no escuro se orienta o extraviado; bendito sejas, ó Allah, no que desdobraste dos Teus céus, e no que aplanaste da Tua terra; aplanaste-a sobre a água; fizeste-la firme sobre a corrente da onda profunda; sujeitaste-la como se sujeitou a água purificante; o seu duro amoleceu à Tua obediência, e o seu affaire se moderou à Tua ordem, e as suas ondas se submeteram à Tua nobreza;
nela fizeste jorrar, depois dos mares, os rios, e depois dos rios, os pequenos canais, e depois dos canais as fontes dos poços abundantes; depois dela fizeste sair os rios, as árvores e os frutos; depois puseste sobre o seu dorso as montanhas; fixaste-las como estacas sobre o dorso da água; as suas pedras e os seus rochedos obedeceram; bendito sejas, ó Allah; quem atinge, pela sua descrição, a Tua descrição? Ou quem atinge, pela sua qualidade, a Tua qualidade?
Desdobras a nuvem, e desatas as nasses, e julgas o verdadeiro, e és o melhor dos juízes; não há divindade senão Tu; glória a Ti; ordenaste que Te pedíssemos perdão de todo pecado; não há divindade senão Tu; glória a Ti; velaste os céus às gentes; não há divindade senão Tu; glória a Ti; não Te teme entre os Teus servos senão os lúcidos; atestamos que não és uma divindade que tivéssemos inventado, nem um senhor de quem a menção se extingue, nem que houve contigo associados que julguem contigo, para que com eles Te invoquemos, e que ninguém Te ajudou a criar-nos, para que de Ti duvidemos; atestamos que és Um, Impenetrável; não geraste, nem foste gerado, e não tens igual.
Ishaq ibn Bishr disse, de Juwaybir e Muqatil, de ad-Dahhak: Issa ibn Maryam reteve-se de falar, depois que lhes falou criança, até que atingisse a idade dos jovens; depois Allah o fez falar seguidamente com sabedoria e eloquência. Os judeus disseram muito sobre ele e sobre a sua mãe; nomeavam-no filho da devassa; e em razão da sua descrença e da sua palavra sobre Maryam, uma calúnia imensa. Quando atingiu sete anos, a sua mãe pô-lo à escola; o ensinante não lhe ensinava nada sem que ele o antecipasse. Ensinou-lhe: Abu Jad. O que é Abu Jad? Não sei. Como me ensinarias o que não sabes? Então ensina-mo. Levanta-te do teu lugar. Pergunta-mo. O que é Abu Jad? O alif: os favores de Allah; o ba: o esplendor de Allah; o jim: a alegria de Allah e a Sua beleza. O ensinante disso se espantou, e foi o primeiro a explicar Abu Jad.
Depois mencionou que Uthman interrogou o Mensageiro de Allah a esse assunto, e que ele lhe respondeu sobre cada palavra, palavra por palavra, num hadith longo, forjado, indubitável e indiscutível.
Do mesmo modo Ibn 'Adi relatou, do hadith de Isma'il ibn 'Ayyash, de Isma'il ibn Yahya, de Ibn Mulayka, de quem lhe tinha relatado, de Ibn Mas'ud; e de Mis'ar ibn Kidam, de 'Atiyya, de Abu Sa'id, remontando o hadith sobre a entrada de Issa à escola, e o ensino do sentido das letras de Abu Jad pelo ensinante: um hadith longo de que não se rejubila. Depois Ibn 'Adi disse: esse hadith, com essa cadeia, é falso: ninguém outro que Isma'il não o relata.
Ibn Lahi'a relatou, de Abdallah ibn Hubayra: Abdallah ibn Salam disse: Issa ibn Maryam, criança, brincava com as crianças: quero informar-te o que a tua mãe te escondeu. Sim. A tua mãe escondeu-te tal e tal coisa. Dá-me a comer do que me escondeste. E que coisa te escondi? Tal e tal. Quem to informou? Issa ibn Maryam. Por Allah, se deixais essas crianças com o filho de Maryam, corrompê-las-á seguramente. Reuniram-nas pois numa casa e encerraram-nas; Issa saiu buscando-as e não as encontrou; ouviu o seu barulho numa casa, e informou-se: estes não são senão unos macacos e uns porcos. Allah, que assim seja. E assim foi. Ibn Asakir o relatou.
Ishaq ibn Bishr disse, de Juwaybir e Muqatil, de ad-Dahhak, de Ibn 'Abbas: e Issa via as maravilhas na sua infância, por uma inspiração de Allah; isso espalhou-se junto dos judeus, e Issa tornou-se célebre; e os Bani Israel pensaram nele. A sua mãe temeu por ele: e fizemos do filho de Maryam e da sua mãe um sinal, e demos-lhes por abrigo uma altura pacífica e fecunda em água.
Os antigos e os exegetas divergiram sobre o que visa essa altura de que Allah descreveu dizendo que é pacífica e fecunda em água; e é uma descrição estranha de forma: é que é uma altura, a saber o lugar elevado da terra, de que o alto é plano e firme; elevada, é espaçosa; e elevada, há nela uma fonte de água viva, que corre livremente à superfície da terra. O lugar visado é aquele onde nasceu o Messias, e é o emplacamento de Bayt al-Maqdis; é por isso que a chamou de debaixo dela: não te aflijas; o teu Senhor pôs aos teus pés um riacho, que é o pequeno rio, segundo o parecer da maioria dos antigos.
E é relatado de Ibn 'Abbas, com uma bela cadeia, que são os rios de Damasco; talvez quisesse comparar esse lugar aos rios de Damasco. Isso no Egito, como sustentou quem o sustentou entre as gentes do Livro e quem o recebeu deles. E Allah sabe melhor. É ar-Ramla.
Idris disse-nos, do seu avô Wahb ibn Munabbih: quando Issa atingiu treze anos, Allah ordenou-lhe voltar do país do Egito para Bayt Ilya. Yusuf, o primo materno da sua mãe, veio a ele, portou-os sobre um jumento, até que os levasse a Ilya, e aí residiu até que Allah lhe revelasse o Evangelho, e lhe ensinasse a Tora, e lhe concedesse a ressurreição dos mortos, a cura das doenças, e o saber dos invisíveis, do que thesaurizam nas suas casas. As gentes falaram da sua vinda, e precipitaram-se para as maravilhas que vinham dele; puseram-se disso se espantar; chamou-os pois para Allah; o seu affaire espalhou-se entre eles.
Exposição da revelação dos quatro Livros e das suas épocas.
Abdallah ibn Salih nos relatou; Mu'awiya ibn Salih narrou-me: a Tora foi revelada a Musa em seis noites passadas do mês de Ramadan; e o Zabur desceu sobre Dawud em doze noites passadas do mês de Ramadan, e isso quatrocentos e oitenta e dois anos depois da Tora; e o Evangelho foi revelado a Issa ibn Maryam em dezoito noites passadas do mês de Ramadan, mil anos e cinquenta anos depois do Zabur; e o Furqan foi revelado a Mohamed, sobre ele a oração e a saudação, em vinte e quatro noites do mês de Ramadan. Mencionamos no Tafsir, à palavra: o mês de Ramadan, no qual foi revelado o Alcorão, os hadiths chegados a esse assunto; e há entre eles que o Evangelho foi revelado a Issa ibn Maryam em dezoito noites passadas do mês de Ramadan.
Ibn Jarir mencionou no seu Tafsir que foi revelado sobre ele enquanto tinha trinta anos, e que permaneceu até que fosse elevado para o céu, enquanto tinha trinta e três anos; como a exposição virá, se Allah, o Altíssimo, quiser.
Sa'id ibn Abi 'Urwa informou-nos, de Qatada; e Muqatil, de Qatada, de 'Abd ar-Rahman ibn Adam: Allah revelou a Issa ibn Maryam: ó Issa, sê zeloso na Minha ordem, e não sejas fraco; escuta e obedece, ó filho da pura virgem pura; és duma fêmea sem macho, e criei-te, um sinal para os mundos; adora-Me pois, e põe em Mim a tua confiança; toma o Livro com força; explica-o às gentes da Síria; transmite aos que são antes de ti que Eu sou o Vivo, o Estável, que não desapareço: crede no profeta analfabeto árabe, ao portador do camelo e da coroa, que é o turbante, e do bordão e das duas sandálias, e do bordão de marcha, que é o caniço: aos largos olhos, às maçãs do rosto altas, às bochechas claras, aos cabelos encaracolados, à barba espessa, às sobrancelhas juntas, ao nariz fino, aos dentes brilhantes, ao queixo proeminente, de quem o pescoço parece uma bilha de prata; e como se o ouro corresse nas suas duas clavículas; tem cabelos indo da nuca ao umbigo, correndo como um caniço; não há sobre o seu ventre nem sobre o seu peito outro cabelo; largo das palmas e dos pés; quando se volta, volta-se todo inteiro; e quando anda, parece destacar-se da rocha e descer duma encosta; o seu suor está sobre o seu rosto como umas pérolas; e o hlito do almíscar dele se exala; nunca se viu antes dele nem depois dele parecido:
belo de estatura, ao perfume agradável; casando com as mulheres; pouca descendência: a sua descendência não é senão duma mulher bendita, de quem a casa, no Paraíso, é de qasab, sem pena nem tumulto; elevá-lo-ás, ó Issa, ao fim dos tempos, como Zakariyya elevou a tua mãe; há dela dois pequenos martirizados; e ele tem junto de Mim um grau que nenhum dos humanos tem: a sua palavra é o Alcorão, e a sua religião é o islã; e Eu sou a Paz: felicidade a quem atinge a sua época, vê os seus dias, e ouve a sua palavra.
Exposição do que é a árvore de Touba.
ó Senhor: e o que é Touba? É uma árvore que Plantei com a Minha mão; está para todos os jardins; a sua raiz é do agrado divino, a sua água do Tasnim, a sua frescura é a frescura do câmbano, o seu gosto o gosto do gengibre, o seu odor o odor do almíscar; quem dela beber um trago não terá mais nunca sede depois. ó Senhor: dá-me de beber dela. É interditado aos profetas dela beber até que beba esse profeta; e é interditado às comunidades dela beber até que beba a comunidade desse profeta. ó Issa: elevar-te-ei para Mim. ó Senhor: porque me elevarias? Elevar-te-ei, depois far-te-ei descer ao fim dos tempos, para veres as maravilhas da comunidade desse profeta, e para os assistires contra o combate do maldito Dajjal. Far-te-ei descer ao tempo duma oração, depois não orarás com eles, porque é uma comunidade para com quem se teve misericórdia, e não há profeta depois do seu profeta.
Hisham ibn 'Ammar disse, de al-Walid ibn Mouslim, de 'Abd ar-Rahman ibn Zayd, do seu pai: ó Senhor: informa-me dessa comunidade para com quem se teve misericórdia. É a comunidade de Ahmad: têm sábios e sábios como se fossem profetas; contentam-se Comigo do pouco de don, e estou satisfeito deles do pouco de obra; e fá-los-ei entrar no Paraíso; não há divindade senão Allah. ó Issa: serão os mais numerosos habitantes do Paraíso, porque as línguas dum povo jamais foram abaixadas por: não há divindade senão Allah, como foram abaixadas as suas línguas; e os pescoços dum povo jamais foram abaixados pela prostração como foram abaixados os seus pescoços. Ibn Asakir o relatou.
E foi relatado pela via de 'Abd ibn Badil al-'Uqayli, de Abdallah ibn Awsaja: Allah revelou a Issa ibn Maryam: ó Issa, ó filho da virgem pura, chora sobre ti mesmo os dias da vida; chora como chora aquele que deixa a sua família e de quem o mundo é pobre, que deixa os prazeres às suas gentes, e de quem o desejo se eleva para o que está junto do seu Allah; e sê nisso brando de palavra, espalhando a saudação; e sê desperto quando os olhos dos justos dormem; guarda-te do que vem do affaire do retorno, e das sacudidas das provas duras, antes que não seja mais útil nem família nem bem; e kol os teu olho com o colírio do pesar, quando os ociosos riem; e sê nisso paciente, contando sobre Allah; feliz sejas se te vierem o que prometi aos pacientes; saboreia o sabor do que te fugiu: onde está o seu gosto? E o que não te veio: qual é a sua doçura?
Toma pois do mundo o que basta, e te baste o grosseiro e rude; viste para onde se vai; age por uma conta; és interrogado; se o teu olho visse o que preparei para os Meus aliados justos, o teu coração derreteria, e a tua alma desapareceria.
Abu Dawud disse no seu livro: Muhammad ibn Yahya ibn Faris nos relatou; Abd ar-Razzaq nos relatou; Ma'mar nos relatou, de az-Zuhri; e de Ibn Tawus, do seu pai: Issa ibn Maryam encontrou Iblis; não sabes que não te alcançará senão o que te está escrito? Sobe pois ao cume dessa montanha, e lança-te; verás se vives ou não. Ibn Tawus disse: então Issa disse: não sabes que Allah disse: o Meu servo não Me tenta, pois faço o que quero? O servo não prova o seu Senhor, mas é Allah Que prova o Seu servo.
Ahmad ibn 'Abda nos relatou; Sufyan informou-nos, de 'Amr: o diabo veio para Issa ibn Maryam: não pretendes que és verídico? Vem pois aqui e lança-te. Ai de ti! Não disse Ele: ó filho de Adão, não Me interroguer sobre a destruição da tua alma, pois faço o que quero?
Abu Tawba ar-Rabi' ibn Nafi' nos relatou; Husayn ibn Talha nos relatou; ouvi Khalid ibn Yazid dizer: o diabo adorou com Issa dez anos, ou dois anos; um dia teve-se à borda duma montanha: vês, se me lançasse, não me alcançaria senão o que me está escrito? Não sou eu quem prova o meu Senhor; mas o meu Senhor, se quer, me provará. E soube que era o diabo, e deixou-o.
Surayj ibn Yunus nos relatou; 'Ali ibn Thabit nos relatou, de al-Khattab ibn al-Qasim, de Abu 'Uthman: Issa, quando o diabo lhe disse: és tu aquele que sustenta que toda coisa é por decreto e predestinação? Sim. Lança pois a tua alma dessa montanha, e dize: decreto sobre mim. ó maldito: Allah prova os servos, e os servos não provam Allah.
Al-Fadl ibn Musa al-Basri nos relatou; Ibrahim ibn Bashshar nos relatou: Issa ibn Maryam encontrou Iblis: ó Issa ibn Maryam, és tu aquele de quem a senhoria foi tão grande que falou no berço criança, e que ninguém antes dele nele tinha falado? A senhoria é antes para a divindade que me fez falar, depois me fará morrer, depois me ressuscitará. És tu aquele de quem a senhoria foi tão grande que ressuscita os mortos? A senhoria é antes para Allah Que faz viver e morrer; e se ressuscitas, é Ele Quem ressuscita.
Por Allah, és uma divindade no céu e uma divindade sobre a terra. Jibril feriu-o dum golpe de asa, e não alcançou menos que os chifres do sol; depois feriu-o dum segundo golpe de asa, e não alcançou menos que o olho que guarda; depois feriu-o dum terceiro, e introduziu-o na sétima mar, e nele o mergulhou até que saboreasse a água a ferver: ninguém jamais encontrou de alguém o que eu de ti encontrei, ó filho de Maryam.
Abu al-Hasan ibn Rizqawayh informou-me; Abu Bakr Ahmad ibn Sindi informou-nos; Abu Mohamed al-Hasan ibn 'Ali al-Qattan nos relatou; Isma'il ibn 'Isa al-'Attar informou-nos; 'Ali ibn 'Asim informou-nos; Abu Salama Suwayd narrou-me, de certos dos seus companheiros: Issa orou em Bayt al-Maqdis, depois se retirou; e quando esteve sobre uma encosta, Iblis lhe apareceu e o deteve: não convém que sejas servo. Ele disse muito sobre ele, e Issa esforçava-se de dele se desfazer, sem lograr: não te convém, ó Issa, de ser servo. Issa implorou pois o seu Senhor: Jibril e Mika'il vieram; quando Iblis os viu, deteve-se; e quando se tiveram com ele sobre a encosta, enquadram Issa, e Jibril feriu Iblis da sua asa; projetou-o no fundo do vale.
Iblis voltou para ele, sabendo que não tinham recebido outra ordem: informei-te de que não te convém de ser servo; a tua cólera não é a cólera dum servo; viste o que recebi de ti quando te zangaste; mas chamo-te a um affaire que é para ti: comando aos diabos; obedece-lhe pois; quando o ser humano vir que os diabos lhe obedecem, adorá-lo-á; não digo que sejas uma divindade que não teria outra divindade com ela; mas Allah será uma divindade no céu, e tu serás uma divindade sobre a terra. Quando Issa ouviu isso dele, implorou o seu Senhor e gritou dum grito intenso: eis que Israfil desceu; Jibril e Mika'il olharam-no; Iblis deteve-se; e quando se teve com eles, Israfil feriu Iblis da sua asa; enviou-o para o olho do sol; depois feriu-o duma segunda ferida: Iblis pôs-se a cair, e passou diante de Issa ficado no seu lugar: ó Issa, recebi de ti hoje uma fadiga intensa.
Projetou-o para o olho do sol; encontrou sete mil anjos ao olho que guarda; cobriram-no; cada vez que saía, cobriam-no dessa água a ferver; e por Allah não mais voltou para ele.
Isma'il al-'Attar nos relatou; Abu Hudhayfa nos relatou: os seus diabos se reuniram junto dele: o nosso mestre, recebeste da fadiga. É um servo preservado; não tenho via sobre ele; e desviarei por ele muitos seres humanos, e espalharei entre eles ideias divergentes, e fá-los-ei seitas; farão dele, ele e a sua mãe, duas divindades fora de Allah.
E Allah fez descer, entre o que com que sustentou Issa e o preservou de Iblis, um Alcorão mencionando o Seu favor sobre Issa: ó Issa ibn Maryam, lembra o Meu favor sobre ti e sobre a tua mãe, quando te sustentei pelo espírito de santidade, isto é, quando te fortifiquei pelo espírito de santidade, que é Jibril; falarás às gentes no berço e em idade madura; e quando te ensinei a Escritura, isto é, o Evangelho, e a Tora, e a sabedoria; e quando retive os Bani Israel de ti; e quando fiz dos pobres para ti uns próximos, uns companheiros e uns auxiliares contigo quem estás satisfeito, uns companheiros e uns auxiliares que estão satisfeitos de ti, guiados e conduzidos para o Paraíso.
Sabe pois: eis dois caracteres imensos; quem Me encontrar com eles encontra-Me com as criaturas as mais puras e as mais agradáveis junto de Mim: jejuámos e não aceitaste o nosso jejum; orámos e não aceitaste a nossa oração; demos a esmola e não aceitaste as nossas esmolas; chorámos, como o urro do camelo, e não tiveste pena dos nossos choros. E porque isso? E o que mo impede: que a Minha mão se tornou pobre? Os tesouros dos céus e da terra não estão na Minha mão, deles gasto como quero?
Ou a avareza Me alcança? Não sou Eu o mais generoso quando se pede, e o mais vasto quando se dá? Ou a Minha misericórdia se reteve? Os misericordiosos não têm misericórdia senão pelo Meu favor.
Mas essas gentes, ó Issa ibn Maryam, contaram-se pela sabedoria que semeia nos seus corações o que deles se apoderaram do mundo, por precedência sobre o outro mundo; não conheceram donde vieram; e então teriam sabido que as suas almas são as mais inimigas das inimigas para eles. E como aceitaria o seu jejum, enquanto se fortificam nele com os alimentos ilícitos? E como aceitaria a sua oração, enquanto os seus corações pendem para os que Me combatem e tornam lícitos os Meus interditos? E como aceitaria as suas esmolas, enquanto delas arrancam as gentes, tomando-as duma maneira ilícita?
ó Issa: não retribuo senão os seus; e como teria misericórdia dos seus choros, enquanto as suas mãos gotejam dos sangues dos profetas? Acresci em cólera sobre eles. ó Issa: decreei o dia em que criei os céus e a terra que quem Me adorar, e disser a teu assunto segundo a Minha palavra, faça dele o teu vizinho na morada, e o teu companheiro nas moradas, e o teu associado na nobreza. E decreei o dia em que criei os céus e a terra que quem te tomar, a ti e à tua mãe, por duas divindades fora de Allah, o coloque no grau o mais baixo do Fogo.
E decreei o dia em que criei os céus e a terra que fixo essa ordem pelas mãos do Meu servo Mohamed, por quem selarei os profetas e os mensageiros: o seu nascimento é em Meca, a sua emigração em Tayba, e a sua realeza na Síria; não é rudo nem grosseiro, nem falador nos mercados, nem ornado da fealdade, nem preguiçoso na calúnia; endireito-o para todo belo affaire, e concedo-lhe todo nobre caráter; faço a piedade a sua intenção, e a sabedoria o seu entendimento, e a lealdade a sua natureza, e a justiça a sua conduta, e a verdade a sua lei, e o islã a sua religião; o seu nome é Ahmad; guio por ele depois do desvio; e ensino por ele depois da ignorância; e enriqueço por ele depois da pobreza; e elevo por ele depois do rebaixamento; guio por ele, e abro por ele entre uns ouvidos surdos, e uns corações velados, e umas ideias divergentes e dispersas; faço a sua comunidade a melhor comunidade saída para as gentes; ordenam o conveniente e interditam o censurável, em sinceridade pelo Meu nome, e em confirmação do que trouxeram os mensageiros; inspirei-lhes a glorificação, a afirmação de unicidade e a santificação nas suas mesquitas, as suas assembleias, as suas casas, os seus retornos e as suas moradas; oram-Me de pé, sentados, inclinados e prostrados;
e combatem no Meu caminho em filas apertadas; o seu sacrifício é o seu sangue, e os seus evangelhos estão nos seus peitos, e o seu sacrifício nos seus ventres; monges de noite, leões de dia; isso é o Meu favor; concedo-o a quem quero; e sou o detentor do imenso favor.
Mencionaremos o que confirma muito desse relato, com o que avançaremos das suratas Al 'Imran e an-Nisa, se Allah, o Altíssimo, o quiser; é n'Ele a confiança. Abu Hudhayfa, isto é, Ishaq ibn Bishr, relatou com as suas cadeias, de Ka'b al-Ahbar, e de Wahb ibn Munabbih, e de Ibn 'Abbas, e de Salman al-Farisi, de quem os hadiths se entrelaçam: quando Issa ibn Maryam foi enviado e veio a eles com as provas: o que comeu fulano ontem à noite? E o que thesaurizou na sua casa? Informa-os pois disso; os crentes acrescem em fé, e os descrentes e hipócritas em dúvida e descrença.
E Issa, apesar disso, não tinha morada onde refugiar-se; errava sobre a terra, sem estadia nem lugar conhecido; a primeira dos mortos que ressuscitou foi um dia que passou diante duma mulher sentada perto duma sepultura, chorando: o que tens, ó mulher? A minha filha morreu; não tinha outra criança senão ela; e prometi ao meu Senhor não deixar o meu lugar até que saboreie o que ela saboreou da morte, ou que Allah ma ressuscite para mim, e que a olhe. Vês: se a olhasses, estarias satisfeita? Sim.
Orou pois duas rak'a, depois veio e sentou-se perto da sepultura: ó tal, levanta-te com a permissão do Misericordioso, e sai. A sepultura mexeu-se; depois gritou uma segunda vez: a sepultura fendeu-se, com a permissão de Allah; depois gritou uma terceira vez: ela saiu, sacudindo a cabeça do pó: porque me fizeste esperar? Quando o primeiro grito me veio, Allah enviou-me um anjo que reconstituiu a minha criação; depois veio o segundo grito, e o meu espírito me voltou; depois veio o terceiro grito, e temi que fosse o grito da Ressurreição; arranquei a cabeça, as sobrancelhas e os cílios, por medo da Ressurreição. ó minha mãe: o que te levou a que saboreie a aflição da morte duas vezes?
ó minha mãe: sê paciente e conta sobre Allah; não tenho necessidade do mundo. ó espírito de Allah e a Sua palavra: pede ao teu Senhor que me leve ao outro mundo, e que me alivie a aflição da morte. Invocou pois o seu Senhor, que a tomou para Si, e a terra se fechou sobre ela. Isso chegou aos judeus; a sua cólera contra ele cresceu.
Já dissemos, no relato de Nuh, que os Bani Israel lhe pediram de ressuscitar para eles Sam, filho de Nuh; invocou Allah, e orou por eles; Allah lhos ressuscitou; falou-lhes da nef e da sua história, depois invocou e tornou a ser pó.
As-Suddi relatou, de Abu Salih e Abu Malik, de Ibn 'Abbas, num relato que mencionou, que um rei dos reis dos Bani Israel morreu e foi portado sobre o seu trono; Issa veio, invocou Allah; Allah o ressuscitou para ele; as gentes viram uma coisa imensa e um espetáculo espantoso.
E quando Allah disse: ó Issa ibn Maryam, lembra o Meu favor sobre ti e sobre a tua mãe, quando te sustentei pelo espírito de santidade: falarás às gentes no berço e em idade madura; e quando te ensinei a Escritura, a sabedoria, a Tora e o Evangelho; e quando criares da argila, com a Minha permissão, à figura da ave: sopra nela, e será, com a Minha permissão, uma ave; e curarás, com a Minha permissão, o cego de nascença e o leproso; e quando fizeres sair, com a Minha permissão, os mortos; e quando retive os Bani Israel de ti, quando vieste a eles com as provas: os que entre eles descreram disseram: isto não é senão magia manifesta. E quando revelei aos discípulos: crede em Mim e no Meu mensageiro; disseram: cremos, e atesta que estamos submetidos.
O Altíssimo lembra-lhe o Seu favor sobre ele, e o Seu favor para com ele, em o criar sem pai, mas duma mãe sem macho, e em fazer dele um sinal para as gentes, e uma prova da perfeição do Seu poder muito alto; depois o Seu envio depois de tudo isso. E sobre a tua mãe, na Sua escolha dela e a Sua eleição para esse imenso favor: quando te sustentei pelo espírito de santidade, que é Jibril, pelo lançamento do seu espírito para a sua mãe, e a sua presença com ele durante a sua missão, chamando as gentes para Allah durante a tua pequena infância no teu berço, e a tua maturidade. E quando te ensinei a Escritura e a sabedoria, isto é, a escritura e a compreensão. Dela modelarás a forma da argila segundo a sua figura, pela Minha ordem.
O Altíssimo confirma mencionando a permissão disso, para levantar a dúvida. Curarás o cego de nascença: certos antigos disseram: é aquele que nasce cego, sem que nenhum dos sábios o possa tratar; e o leproso: aquele para quem não há remédio, mas que foi atingido da lepra e de quem o remédio se tornou rebelde. E farás sair os mortos, isto é, das suas sepulturas, vivos, com a Minha permissão: o que já mencionamos contém a indicação de que isso se produziu várias vezes, do que há suficiência. E quando retive os Bani Israel de ti, quando vieste a eles com as provas: os que entre eles descreram disseram: isto não é senão magia manifesta; e isso quando quiseram crucificá-lo; Allah o elevou para Si, e o salvou de entre eles, em proteção da Sua nobre essência contra o mal, e em salvação dele contra a morte.
E quando revelei aos discípulos: crede em Mim e no Meu mensageiro; disseram: cremos, e atesta que estamos submetidos. Foi dito: essa revelação é uma revelação de inspiração: Allah os guiou para ele e lhos mostrou: o teu Senhor revelou às abelhas; e revelamos à mãe de Musa: amamenta-o, e se temes por ele, lança-o ao mar; trata-se duma revelação pelo intermédio dum mensageiro: cremos, e atesta que estamos submetidos.
Entre os favores de Allah sobre o Seu servo e o Seu mensageiro Issa ibn Maryam: que lhe fez uns auxiliares e uns ajudantes que o sustentavam e chamavam com ele a adorar Allah só, sem associado: é Ele Que te sustentou pelo Seu socorro e pelos crentes, e concedeu o entendimento entre os seus corações: se gastasses tudo o que está sobre a terra, não concederias o entendimento entre os seus corações, mas Allah o concedeu; Ele é o Eterno, o Sábio. E: ensinar-lhe-á a Escritura, a sabedoria, a Tora e o Evangelho, e será um mensageiro para os Bani Israel: vim a vós com um sinal do vosso Senhor: crio para vós da argila à figura duma ave, depois sopra nela, e será uma ave com a permissão de Allah; e curo o cego de nascença e o leproso, e ressuscito os mortos com a permissão de Allah; e anuncio-vos o que comeis e o que thesaurizais nas vossas casas. Nisso há para vós um sinal, se sois crentes.
E vindo confirmar o que há antes de mim da Tora, e para vos tornar lícita uma parte do que vos foi interditado; e vim a vós com um sinal do vosso Senhor: temei pois Allah e obedecei-me; em verdade Allah é o meu Senhor e o vosso Senhor; adorai-O pois; eis uma via reta. Quando Issa sentiu a sua descrença, disse: quem são os meus auxiliares para Allah? Os discípulos disseram: somos os auxiliares de Allah; cremos em Allah, e atesta que estamos submetidos. Senhor, cremos no que fizeste descer, e seguimos o mensageiro; inscreve-nos pois entre as testemunhas.
E tramaram, e Allah tramou; e Allah é o melhor dos tramadores.
O milagre de cada profeta à sua época é conforme às gentes dessa época. Mencionaram que o milagre de Musa era conforme às gentes do seu tempo: eram uns mágicos astuciosos; foi pois enviado com sinais que ofuscavam os olhares, e diante dos quais as nasses se submeteram; e quando os mágicos foram expertos nas artes da magia e do que a que ela chega, e contemplaram esse affaire brilhante e imenso, que não pode emanar senão de alguém sustentado por Allah, e sobre as mãos de quem Allah fez advir o extraordinário em confirmação dele, abraçaram o islã rapidamente, sem hesitação. Do mesmo modo Issa ibn Maryam foi enviado à época dos naturalistas e dos sábios; foi pois enviado com milagres que não podiam cumprir nem para os quais não se dirigiam: como um sábio poderia curar o cego de nascença, que é pior de estado do que o cego, o leproso e o leproso negro, e aquele que tem uma doença crônica? E como alguém da criação poderia chegar a reerguer o morto da sua sepultura?
Isso faz parte do que cada um sabe ser um milagre provando a verdade daquele que o cumpre, e o poder d'Aquele Que o enviou. Do mesmo modo Mohamed, sobre ele as orações de Allah e a Sua saudação, e sobre todos eles, foi enviado à época dos eloquentes e dos retóricos: Allah fez pois descer sobre ele o Alcorão imenso, a que o falso não vem atingir, de diante nem de trás: revelação dum Sábio, digno de louvor: a sua palavra é miraculosa: desafiou homens e jinn de trazerem a parelha, ou dez suratas da sua parelha, ou uma surata, e cortou-lhes a curta: não o podem, nem no presente nem no futuro; se não o fazem, e nunca o farão; e isso porque é a palavra do Criador; e Allah, o Altíssimo, nada Se Lhe parece, nem na Sua essência, nem nos Seus atributos, nem nos Seus atos.
O discurso é que, quando Issa ergueu diante deles as provas e os argumentos, a maioria deles perseverou na sua descrença, no seu desvio, na sua obstinação e na sua tirania; Allah escolheu-lhes pois de entre eles um grupo reto, que foi para ele uns auxiliares e uns ajudantes, tomando a cargo segui-lo, sustentá-lo e aconselhá-lo sinceramente. Isso quando os Bani Israel pensaram nele, e o denunciaram a certos dos reis dessa época; resolveram matá-lo e crucificá-lo; Allah o salvou pois deles, e o elevou para Si de entre eles, e lançou a sua imagem sobre um dos seus companheiros; tomaram-no, mataram-no e crucificaram-no, crendo que era Issa; enganaram-se nisso, e obstinaram-se contra a verdade; e muitos cristãos lhes accordaram o que tinham pretendido; e os dois grupos enganaram-se nisso. E tramaram, e Allah tramou; e Allah é o melhor dos tramadores. E o Altíssimo disse:
« E quando Issa ibn Maryam disse: ó Bani Israel, em verdade sou o mensageiro de Allah para vós, confirmando o que há antes de mim da Tora, e anunciando a boa nova dum mensageiro que virá depois de mim, cujo nome é Ahmad. Quando veio a eles com as provas, disseram: isto é duma magia manifesta. E quem é mais injusto do que quem forja contra Allah a mentira, enquanto é chamado ao islã? E Allah não guia o povo injusto.
Querem extinguir a luz de Allah pelas suas bocas, mas Allah completa a Sua luz, apesar do ódio dos descrentes. É Ele Quem enviou o Seu mensageiro com a guia e a religião de verdade, para a fazer prevalecer sobre toda religião, apesar do ódio dos associadores. »
Surata as-Saff, 6-9
« ó vós que crestes, sede os auxiliares de Allah, como Issa ibn Maryam disse aos discípulos: quem são os meus auxiliares para Allah? Os discípulos disseram: somos os auxiliares de Allah; um grupo dos Bani Israel creu pois, e um grupo descreu; sustentámos os que creram contra o seu inimigo, e foram pois vencedores. »
Surata as-Saff, 14
Issa é pois o selo dos profetas dos Bani Israel; ergueu-se entre eles como pregador, e anunciou-lhes a boa nova do selo dos profetas que viria depois dele; mencionou o seu nome, e descreveu-lhes as suas qualidades, para que o reconhecessem e o seguissem quando o vissem, erguendo a prova contra eles, e em bemfeito de Allah para com eles: aqueles que seguem o mensageiro, o profeta analfabeto, que encontram escrito junto deles na Tora e no Evangelho; ordena-lhes o conveniente, interdita-lhes o censurável, torna-lhes lícitas as coisas boas, interdita-lhes as más, e depõe deles o seu fardo e as correntes que estavam sobre eles; aqueles pois que nele crerem, o sustentarem, o assistirem, e seguirem a luz descida com ele: esses são os bem-sucedidos.
Thawr ibn Yazid narrou-me, de Khalid ibn Ma'dan: disseram: ó Mensageiro de Allah, informa-nos de ti mesmo: a invocação do meu pai Ibrahim, e a boa nova de Issa; e a minha mãe, quando me portou, viu como se uma luz saísse dela, iluminando os palácios de Busra, no país da Síria. Foi relatado de al-Irbad ibn Sariya, e de Abu Umama, do Profeta, um relato vizinho: a invocação do meu pai Ibrahim: nosso Senhor, e suscita entre eles um mensageiro, de entre eles. E o versículo. E quando a profecia entre os Bani Israel se acabou em Issa, ergueu-se entre eles como pregador, e informou-os de que a profecia lhes tinha sido cortada, e que seria depois dele ao profeta árabe analfabeto, selo dos profetas sem restrição: Ahmad, que é Muhammad ibn 'Abdallah ibn 'Abd al-Muttalib ibn Hashim, proveniente da linhagem de Ismael ibn Ibrahim al-Khalil: quando veio a eles com as provas, disseram: isto é duma magia manifesta.
O retorno do pronome pode visar Issa, e pode reverter sobre Mohamed. Depois o Altíssimo incitou os Seus servos crentes a sustentar o islã e as suas gentes, e a sustentar o Seu profeta, e a defendê-lo e ajudá-lo a estabelecer a religião e a espalhar o chamado: ó vós que crestes, sede os auxiliares de Allah, como Issa ibn Maryam disse aos discípulos: quem são os meus auxiliares para Allah? Isto é: quem me assistirá no chamado para Allah? Os discípulos disseram: somos os auxiliares de Allah; e isso foi numa aldeia nomeada an-Nasira; os cristãos foram pois nomeados por isso.
Um grupo dos Bani Israel creu pois, e um grupo descreu, isto é: quando Issa chamou os Bani Israel e os outros para Allah, o Altíssimo, certos entre eles creram, e outros descreram. Entre os que nele creram: as gentes de Antioquia, na sua integridade, como mencionou mais de um dos autores das siras e das histórias e do Tafsir; enviou-lhes três mensageiros, um deles foi Sham'un as-Safa; creram e responderam; e estes não são os mencionados na surata Yasin, como foi estabelecido no relato das gentes da cidade. E outros dos Bani Israel descreram; são a maioria dos judeus; Allah sustentou pois os que nele creram contra os que descreram seguidamente; foram vencedores sobre eles, dominando os: quando Allah disser: ó Issa, em verdade te recordarei para Mim, e elevar-te-ei para Mim, e te purificarei dos que descreram, e porei os que te seguiram acima dos que descreram, até o Dia da Ressurreição. E o versículo.
Quem é mais próximo dele foi pois vencedor sobre quem está abaixo; e como a palavra dos muçulmanos a seu assunto é a verdade sem dúvida, a saber que é o servo de Allah e o Seu mensageiro, foram pois vencedores sobre os cristãos que nele fizeram excesso e o lisonjearam, e o puseram acima do que Allah tinha posto; e como os cristãos, no conjunto, estão mais próximos da verdade a seu assunto do que para o que se dirigiam os judeus, sobre eles a maldição de Allah, os cristãos dominaram pois os judeus às épocas da tibieza, até a época do islã e das suas gentes. E Allah, o Altíssimo, sabe melhor.
« Quando os discípulos disseram: ó Issa ibn Maryam, pode o teu Senhor fazer descer sobre nós do céu uma mesa servida? Ele disse: temei Allah, se sois crentes. Disseram: queremos dela comer, e que os nossos corações nela se tranquilizem, e que saibamos que nos disseste a verdade, e que sejamos entre as suas testemunhas. Issa ibn Maryam disse: Allah, nosso Senhor, faz descer sobre nós do céu uma mesa servida, que seja para nós uma festa, para o primeiro e o último entre nós, e um sinal da Tua parte; e provê-nos; Tu és o melhor dos provedores.
Allah disse: em verdade, faço-la descer sobre vós; quem entre vós depois descrer, castigá-lo-ei dum castigo de que não castigarei ninguém entre os mundos. »
Surata al-Ma'ida, 112-115
Mencionamos no Tafsir os athars chegados sobre a descida da mesa, segundo Ibn 'Abbas, e Salman al-Farisi, e 'Ammar ibn Yasir, e outros dos antigos; o seu conteúdo é que Issa ordenou aos discípulos jejuar trinta dias; e quando os cumpriram, pediram a Issa que fizesse descer do céu uma mesa servida, para dela comerem e para que os seus corações nela se tranquilizassem, sabendo que Allah tinha aceitado o seu jejum e atendido o seu pedido; e que fosse para eles uma festa, onde romperiam o jejum no dia da sua ruptura; e que bastasse ao primeiro e ao último entre eles, ao rico como ao pobre. Issa exortou-os pois a esse assunto, e temeu por eles que não rendessem graça, e não cumprissem as condições do direito; insistiram junto dele para que a pedisse para eles do seu Senhor.
Quando não renunciaram, levantou-se para o seu lugar de oração, vestido duma cobertura de lã, plantando-se sobre os seus dois pés, baixando a cabeça, os olhos correndo de lágrimas, humilhando-se para Allah na invocação e o pedido, que fossem atendidos para o que tinham pedido; Allah, o Altíssimo, fez pois descer a mesa servida do céu, e as gentes olhavam-na descer entre duas nuvens; aproximava-se pouco a pouco, e cada vez que se aproximava, Issa pedia ao seu Senhor dela fazer uma misericórdia, não um castigo, e dela fazer uma bênção e uma salvação. Não cessou de aproximar-se até que se pousasse diante de Issa, coberta dum lenço. Issa levantou-se e descobriu-a: em nome de Allah, o melhor dos provedores. Havia sobre ela sete peixes, e sete pães, e vinagre, e romãs e frutos; e tinha um odor muito grande.
Ele disse: sê, e foi; depois ordenou-lhes dela comerem: não comemos tanto que não comas; vós sois os que começaram a pedi-la. Recusaram dela comer os primeiros; ordenou pois aos pobres, aos necessitados, aos doentes e aos paralíticos, que eram perto de mil e trezentos; deles comeram, e curou quem tinha uma invalidez, ou uma maldição, ou uma doença crônica. As gentes arrependeram-se de não dela terem comido, vendo a cura do estado desses. Ela descia cada dia uma vez; as gentes dela comiam; o último entre eles comia como comia o primeiro; nutria cerca de sete mil.
Depois desceu um dia sim um dia não, como a camela de Salih de quem bebiam o leite um dia sim um dia não. Depois Allah ordenou a Issa restringi-la aos pobres, ou aos necessitados, à exclusão dos ricos; isso foi penoso para muita gente, e os seus hipócritas disso falaram; foi pois retirada totalmente, e os que disso falaram foram metamorfoseados em porcos.
Ibn Abi Hatim e Ibn Jarir o relataram juntos; al-Hasan ibn Qaza'a al-Bahili nos relatou; Sufyan ibn Habib nos relatou; Sa'id ibn Abi 'Urwa nos relatou, de Qatada, de Khilas, de 'Ammar ibn Yasir, que diz: a mesa servida desceu do céu, de pão e de carne; e foi-lhes ordenado não trair, nem thesaurizar, nem pôr em reserva para amanhã; traíram, thesaurizaram e puseram em reserva; foram metamorfoseados em macacos e em porcos. Depois Ibn Jarir o relatou, de Bundar, de Ibn Abi 'Adi, de Sa'id, de Qatada, de Khilas, de 'Ammar, numa interrompida; e isto é mais correto; e do mesmo modo o relatou pela via de Simak, dum homem dos Bani 'Ijl, de 'Ammar, numa interrompida; e é o justo. E Allah sabe melhor. E Khilas, a propósito de 'Ammar, é uma cadeia interrompida; se esse hadith fosse autêntico, remontado, seria decisivo nesse relato, porque os sábios divergiram sobre a mesa: desceu ela ou não?
A maioria sustenta que desceu, como indicam esses athars, e como se compreende da evidência do contexto corânico: em verdade, faço-a descer sobre vós; como o estabeleceu Ibn Jarir. E Allah sabe melhor. Ibn Jarir relatou, com uma cadeia autêntica até Mujahid, e até al-Hasan ibn Abi al-Hasan al-Basri: não desceu; insistiram pela sua descida: quem entre vós depois descrer, castigá-lo-ei dum castigo de que não castigarei ninguém entre os mundos.
Os cristãos não conhecem o relato da mesa servida; não está mencionado no seu livro, enquanto que o seu relato faz parte do que os motivos empurram a transmitir. E Allah sabe melhor. Detalhámos o discurso a esse assunto no Tafsir; que seja escrito daqui, e quem o quer rever que o olhe lá. A Allah o louvor e o favor.
Um homem de quem o nome se perdeu nos relatou; Hajjaj ibn Mohamed nos relatou; Abu Hilal Muhammad ibn Sulayman nos relatou, de Bakr ibn 'Abdallah al-Muzani: os discípulos perderam o seu profeta Issa; tinha-se dirigido para o mar; partiram à sua busca; e quando chegaram ao mar, ele andava sobre a água; a onda o erguia uma vez, e o punha uma outra; e estava coberto dum vestido, um meio drapeado, e o outro meio ajustado, até que chegasse a eles. Um deles, que creio ser dos melhores entre eles, disse: posso vir para ti, ó profeta de Allah? Sim. Pousou um dos seus dois pés sobre a água: ai de mim, afogo-me, ó profeta de Allah.
Mostra-me a tua mão, ó pequeno de fé: se o filho de Adão tivesse da certeza a grandeza dum grão de cevada, andaria sobre a água. Abu Sa'id ibn al-A'rabi o relatou, de Ibrahim ibn Abi al-Jahm, de Sulayman ibn Harb, de Abu Hilal, de Bakr, num sentido vizinho. Depois Ibn Abi ad-Dunya disse: Muhammad ibn 'Ali ibn al-Hasan ibn Shaqiq nos relatou; Ibrahim ibn al-Ash'ath nos relatou; foi dito a Issa ibn Maryam: ó Issa, com que andas sobre a água? Com a fé e a certeza.
Cremos como crestes, e tivemos a certeza como tiveste a certeza. Andai pois. Andaram pois com ele na onda, e afogaram-se. O que tendes?
Tivemos medo da onda. Não tivestes medo do Senhor da onda? Fê-los sair, depois feriu a terra com a sua mão; agarrou-a depois abriu-a: numa das suas mãos havia ouro, e na outra argila ou seixos: qual das duas é mais doce nos vossos corações? O ouro.
São pois para mim iguais. Já dissemos, no relato de Yahya ibn Zakariyya, segundo certos dos antigos, que Issa portava vestidos de lã, e comia folhas das árvores, e não se refugiava nem numa morada, nem junto duma família, nem com um bem, e não thesaurizava nada para amanhã. Comia do fiado da sua mãe; sobre ela as orações de Allah e a saudação.
Ibn Asakir relatou, de ash-Sha'bi: quando a Hora era mencionada diante de Issa, gritava; não convém que se mencione a Hora diante do filho de Maryam e que ele se cale. E de 'Abd al-Malik ibn Sa'id ibn Abjar: quando Issa ouvia a exortação, gritava o grito da mulher a quem os seus filhos morreram.
Ma'mar informou-nos que Issa dizia: Allah, venho pela manhã sem poder repelir o que odeio, e sem deter o lucro do que espero; e o affaire está na mão dum outro que eu; e estou empenhado pela minha obra; não há pobre mais pobre do que eu. Allah: não rejubiles o meu inimigo de mim, e não me aflijas pelo meu amigo, e não faças a minha prova na minha religião, e não me submetas a quem não tem piedade de mim. Ninguém atinge a realidade da fé tanto que não se inquiete de comer do mundo. E Issa dizia: refleti sobre a criação, e encontrei aquele que não foi criado mais invejado junto de mim do que aquele que foi criado.
Ishaq ibn Bishr disse, de Hisham ibn Hassan, de al-Hasan: em verdade, Issa é o chefe dos ascetas no Dia da Ressurreição, e os que fogem pelos seus pecados serão reunidos no Dia da Ressurreição com Issa. E enquanto Issa dormia um dia sobre uma pedra que tinha por travesseiro, e que tinha encontrado a doçura do sono, Iblis passou perto dele: ó Issa, não pretendes que não queres nada dos acessórios do mundo? Eis essa pedra dos acessórios do mundo. Issa levantou-se, tomou a pedra e lha lançou: eis para ti, com o mundo.
Issa saiu para os seus companheiros, vestido duma hopelanda de lã, dum vestido e dum turbante, descalço, chorando, descomposto, amarelo de cor da fome, os lábios secos da sede: a paz sobre vós, ó Bani Israel; sou aquele que abaixou o lugar do mundo, com a permissão de Allah, sem espanto nem orgulho; sabeis onde está a minha casa? Onde está a tua casa, ó espírito de Allah? As minhas casas são as mesquitas, e o meu perfume a água, e o meu condimento a fome, e a minha lâmpada a lua de noite; e a minha oração no inverno aos orientes do sol, e o meu roseiral as ervas da terra; e o meu vestido a lã; e a minha elegância o temor do Senhor da nobreza; e os meus companheiros os paralíticos e os pobres; venho pela manhã sem nada, e venho à tarde sem nada; e estou de coração puro, rico e abundante: quem é pois mais rico do que eu, e mais proveitoso? Ibn Asakir o relatou.
Foi relatado na biografia de Muhammad ibn al-Walid ibn Aban ibn Hibban, Abu al-Hasan al-'Uqayli al-Misri: Hani' ibn al-Mutawakkil al-Iskandarani nos relatou; Haywa ibn Shurayh nos relatou; al-Walid ibn Abi al-Walid narrou-me, de Shufayy ibn Mati', de Abu Hurayra, do Profeta: Allah, o Altíssimo, revelou a Issa: ó Issa, muda de lugar em lugar, de medo de ser conhecido e suportado; pela Minha nobreza e a Minha grandeza, casar-te-ei com mil huris, e dar-te-ei quatrocentos anos. E é um hadith estranho, remontado; e pode ser interrompido, da transmissão de Shufayy ibn Mati' de Ka'b al-Ahbar, ou de outros dos israelitas. E Allah sabe melhor.
Abdallah ibn al-Mubarak disse, de Sufyan ibn 'Uyayna: Issa disse aos discípulos: do mesmo modo como os reis vos deixaram a sabedoria, deixai-lhes o mundo.
Issa disse: pedi-me, pois tenho o coração brando, e sou pequeno aos meus próprios olhos. Isma'il ibn 'Ayyash disse, de Abdallah ibn Dinan: Issa disse: comei o pão de cevada, e bebei a água clara, e saí do mundo sãos e salvos; em verdade a doçura do mundo é a amargura do outro mundo; e em verdade a amargura do mundo é a doçura do outro mundo; e os servos de Allah não são gentes de complacência; o pior entre vós é o sabedor que prefere o seu capricho ao seu saber; quereria que todas as gentes fossem como ele. E um sentido vizinho foi relatado de Abu Hurayra.
Abu Mus'ab disse: chegou-lhe que Issa dizia: ó Bani Israel, recorrei à água clara, às ervas selvagens, e ao pão de cevada; e guardai-vos do pão de trigo, pois não saberíeis render graça.
Ibn Wahb disse, de Sulayman ibn Bilal, de Yahya ibn Sa'id: Issa dizia: atravessai o mundo, e não o habiteis; o amor do mundo é a cabeça de toda falta; e o olhar semeia no coração a concupiscência. E Wahb ibn al-Ward relatou parecido; e quantas concupiscências fez herdar as suas gentes dum longo pesar. E de Issa: ó filho de Adão fraco: teme Allah onde quer que estejas, e sê no mundo um hóspede; e toma as mesquitas por morada; e ensina ao teu olho os choros, ao teu corpo a paciência, ao teu coração a reflexão; e não te inquietes do alimento de amanhã: é uma falta. E de Issa: como não te é possível, a ti, construir uma morada sobre as ondas do mar, não tomes o mundo por residência.
Tendes casas à borda das cheias; e como uma morada de quem os fundamentos são de argila permaneceria sobre a água?
Issa ibn Maryam disse: o amor do mundo e o amor do outro mundo não permanecem no coração dum crente, do mesmo modo como a água e o fogo não permanecem num recipiente. Ibrahim al-Harbi disse, de Dawud ibn Rashid, de Abu 'Abdallah o sufi: Issa disse: quem busca o mundo é como quem bebe da água do mar: mais bebe, mais sede tem, até que ela o mate. E é relatado de Issa: o diabo está com o mundo, e a sua astúcia com o bem; e o seu aformoseamento com o capricho, e a sua preensão perto das concupiscências. Al-A'mash disse: Issa preparava o alimento para os seus companheiros e levantava-se ao seu serviço: fazei assim com os vossos notáveis.
Uma mulher disse a Issa: felicidade ao ventre que te portou, e ao seio que te amamentou. Felicidade a quem lê o Livro de Allah e o segue. Felicidade a quem chora à menção da sua falta, e guarda a sua língua, e de quem a sua casa lhe basta. Felicidade ao olho que dormiu, sem que a sua alma fosse afetada pela desobediência, e despertou para outra coisa que o pecado.
E de Malik ibn Dinar: Issa e os seus companheiros passaram diante duma carniça: que fétido é o seu odor. E como os seus dentes são brancos; quis interditar-lhes a maledicência. Al-Husayn ibn 'Abd ar-Rahman nos relatou, de Zakariyya ibn 'Adi: Issa ibn Maryam disse: ó assembleia dos discípulos, contentai-vos do pouco do mundo com a salvação da religião, do mesmo modo como as gentes do mundo se contentaram do pouco da religião com a salvação do mundo. E a esse assunto disse o poeta: vejo uns homens que se contentaram do pouco de religião, e não os vejo satisfeitos do baixo na vida.
Sê pois rico pela religião do mundo dos reis, do mesmo modo como os reis se enriqueceram do seu mundo contra a religião.
Abu Mus'ab disse: Issa ibn Maryam disse: não faleis muito sem menção de Allah; os vossos corações endureceriam; e o coração duro está longe de Allah, mas não sabeis; e não olheis os pecados dos servos como se fôsseis uns mestres, e olhai-os como se fôsseis uns servos, poupado e provado; tende pois piedade das gentes da prova, e agradecei Allah pela saúde.
Ouvi o meu pai dizer, de Ibrahim at-Taymi: Issa disse aos seus companheiros: em verdade vos digo: quem busca o Firdaws, o pão de cevada é para ele, e o dormir nos escombros com os cães é abundante.
Issa disse: em verdade, comer da cevada com a cinza, e dormir sobre os escombros com os cães, é pouco para a busca do Firdaws.
Sufyan informou-nos, de Mansur, de Salim ibn Abi al-Ja'd: Issa disse: operai para Allah, e não opereis para os vossos ventres; olhai essas aves; partem pela manhã e voltam à tarde; não lavram nem segam, e Allah as provê; temos ventres maiores do que as aves. Olhai essas bestas e esses asnos; partem pela manhã e voltam à tarde, não lavram nem segam, e Allah os provê.
Safwan ibn 'Amr disse, de Shurayh ibn 'Ubayd, de Yazid ibn Maysara: os discípulos disseram ao Messias: ó Messias de Allah, olha a mesquita de Allah, como é bela. Amém, amém: Allah não deixará dessa mesquita pedra de pé sem a aniquilar pelos pecados das suas gentes; em verdade, Allah não precisa do ouro nem da prata, nem dessas pedras que vos agradam; mais amáveis a Allah do que elas são os corações retos, e por eles Allah faz durar a terra, e por eles Allah destrói a terra quando estão doutro modo.
O hafiz Abu al-Qasim Ibn Asakir mencionou: Abu Mansur Ahmad ibn Mohamed as-Sufi informou-nos; 'A'isha bint al-Hasan ibn Ibrahim al-Warkaniyya informou-nos; Abu Mohamed 'Abdallah ibn Omar ibn 'Abdallah ibn al-Haytham nos relatou por ditado; al-Walid ibn Aban nos relatou por ditado; Ahmad ibn Ja'far ar-Razi nos relatou; Suhayl ibn Ibrahim al-Hanzali nos relatou; 'Abd al-Wahhab ibn 'Abd al-'Aziz nos relatou, de al-Mu'tamir, de Layth, de Mujahid, de Ibn 'Abbas, do Profeta: Issa passou diante duma cidade em ruína; o edifício o espantou: ó Senhor, faze que essa cidade me responda. Allah revelou à cidade: ó cidade arruinada, responde a Issa. A cidade gritou para Issa: o meu bem-amado, e o que queres de mim? O que fizeram as tuas árvores?
E os teus rios? E os teus palácios? E onde estão os teus habitantes? O meu bem-amado: a promessa do teu Senhor, a verdade, veio; as minhas árvores secaram, os meus rios secaram, os meus palácios estão em ruína, e os meus habitantes morreram.
E onde estão os seus bens? Amontoaram-nos do lícito e do ilícito, depositados no meu ventre; a Allah é a herança dos céus e da terra. Issa gritou: espantei-me de três pessoas: aquele que busca o mundo, enquanto a morte o busca; e aquele que constrói os palácios, enquanto a sepultura é a sua morada; e aquele que ri de boca cheia, enquanto o Fogo está diante dele. Filho de Adão: não te saciarás pela abundância, nem te contentarás pelo pouco; amontoas o teu bem para quem não te louvará, e avanças para um Senhor que não te escusará; não és senão o servo do teu ventre e da tua concupiscência; não enches o teu ventre senão quando entras na tua sepultura; e tu, filho de Adão, vês a massa do teu bem na balança dum outro.
É um hadith muito estranho, e contém uma bela exortação; escrevemo-lo pois por isso.
Sufyan ath-Thawri disse, do seu pai, de Ibrahim at-Taymi: Issa disse: ó assembleia dos discípulos, colocai os vossos tesouros no céu, pois o coração do homem está onde está o seu tesouro. Thawr ibn Yazid disse, de 'Abd al-'Aziz ibn Dhabyan: Issa ibn Maryam disse: quem aprende, ensina e opera será chamado imenso no reino do céu. Foi relatado que Issa disse: não há bem dum saber que não passa contigo o vale, e não faz habitar contigo a mesquita.
Ibn Asakir relatou, com uma cadeia estranha, de Ibn 'Abbas, remontado: Issa disse: ó assembleia dos discípulos, não faleis da sabedoria aos que dela não são dignos, ou lhe sereis injustos, e não a retenhais aos seus dignos, ou lhes sereis injustos; um affaire de quem a retidão aparece, segui-o; e um affaire de quem o desvio aparece, evitai-o; e um affaire sobre o qual divergis, remetei dele o seu saber a Allah. Abd ar-Razzaq disse: Ma'mar informou-nos, dum homem, de 'Ikrima: Issa disse: não lanceis as pérolas aos porcos, pois o porco nada faz das pérolas; e não deis a sabedoria a quem não a quer, pois a sabedoria é melhor do que a pérola, e quem não a quer é pior do que o porco. Do mesmo modo Wahb e outros o relataram dele. Vós sois o sal da terra; se pois vos corrompeis, não há remédio para vós: o riso sem espanto, e a palidez sem velar.
Quem é o mais provante das gentes? A falta do sabedor, pois quando o sabedor falta, pela sua falta falta uma multidão sabedora. ó sábios do mal: fizestes do mundo o cume das vossas cabeças, e do outro mundo o fundo dos vossos pés; a vossa palavra é remédio, e a vossa obra é mal; o vosso exemplo é o da árvore de adelfa: seduz quem o vê, e mata quem o come. Issa disse: ó sábios do mal: sentastes-vos às portas do Paraíso, nem vós nele entrais, nem deixais os pobres nele entrar; o pior das gentes junto de Allah é o sabedor que busca o mundo pelo seu saber.
Yahya e Issa encontraram-se; Issa apertou-lhe a mão rindo; ele lhe disse: ó filho da minha tia materna, o que tenho de te ver rir, como se estivesses em segurança? O que tenho de te ver sombrio, como se tivesses desesperado? O mais amável entre vós dois junto de mim é o melhor anunciador do seu companheiro.
Issa, ele e os seus companheiros, deteve-se diante duma sepultura, de quem o mestre nela estava lançado; puseram-se a mencionar a sepultura e a sua estreiteza: estáveis no que é mais estreito do que ela, nos seios das vossas mães; quando Allah quer alargar, alarga. Chegou-me que Issa, quando mencionava a morte, a sua pele gotejava do sangue.
E os athars desse género são muito numerosos; o hafiz Ibn Asakir relatou deles uma boa parte; limitámo-nos a essa medida, e Allah, o Altíssimo, é Aquele Que faz êxito para o justo.
« E tramaram, e Allah tramou; e Allah é o melhor dos tramadores. Quando Allah disser: ó Issa, em verdade te recordarei para Mim, e elevar-te-ei para Mim, e te purificarei dos que descreram, e porei os que te seguiram acima dos que descreram, até o Dia da Ressurreição; depois para Mim é o vosso retorno, e julgarei entre vós a propósito do que em que divergíeis.
E em razão da sua ruptura do seu pacto, e da sua descrença nos sinais de Allah, e do seu assassínio dos profetas sem direito, e da sua palavra: os nossos corações estão velados; não: Allah selou isso sobre eles pela sua descrença; não creram pois senão pouco; e pela sua descrença, e pela sua palavra contra Maryam, uma calúnia imensa; e pela sua palavra: em verdade matámos o Messias, Issa ibn Maryam, o mensageiro de Allah; enquanto não o mataram, nem crucificaram, mas foi-lhes tornado semelhante; e em verdade os que divergiram a seu assunto estão na dúvida a seu assunto; não têm disso nenhuma ciência, senão a sequência da conjetura; e certamente não o mataram com certeza; mas Allah o elevou para Si; e Allah é o Eterno, o Sábio; e não há gentes do Livro sem que nele creiam, antes da sua morte; e no Dia da Ressurreição, ele será testemunha sobre eles. »
Surata an-Nisa, 157-159
O Altíssimo informou de que o elevou para o céu, depois de o ter recordado para Si pelo sono, segundo o correto, irrevogável, e o salvou dos que queriam fazê-lo sofrer entre os judeus, que o denunciaram a certos dos reis descrentes dessa época. Al-Hasan al-Basri disse: nomeava-se Dawud ibn Nura; ordenou a sua morte e a sua crucificação; cercaram-no pois numa casa em Bayt al-Maqdis, e isso à tarde de sexta, a noite de sábado; e quando veio o momento da sua entrada, a sua imagem foi lançada sobre certos dos seus companheiros presentes junto dele, e Issa foi elevado dum telhado dessa casa para o céu, enquanto as gentes da casa olhavam. Os policiais entraram; encontraram esse jovem sobre quem a sua imagem tinha sido lançada; tomaram-no, crendo que era Issa; crucificaram-no, e puseram os espinhos sobre a sua cabeça em humilhação para ele. E a maioria dos cristãos que não assistiram ao affaire de Issa accordaram aos judeus que foi crucificado; extraviam-se pois por isso num extravio manifesto, abundante, grave e longínquo.
E não há gentes do Livro sem que nele creiam antes da sua morte, isto é: depois da sua descida para a terra ao fim dos tempos, antes do erguer da Hora; pois descerá, matará o porco, quebrará a cruz, imporá a jizya, e não aceitará senão o islã; como mostrámos isso pelo que aí chegou de hadiths, ao Tafsir desse nobre versículo da surata an-Nisa, e como o avançaremos em detalhe no livro a propósito das novas do Messias Dajjal; mencionaremos o que chegou sobre a descida do Messias Mahdi da parte do Eterno, para matar o Messias Dajjal, o mentiroso que chama ao desvio. E eis a menção do que chegou nos athars sobre a maneira da sua elevação para o céu.
Ahmad ibn Sinan nos relatou; Abu Mu'awiya nos relatou, de al-A'mash, de al-Minhali ibn 'Amr, de Sa'id ibn Jubayr, de Ibn 'Abbas: quando Allah quis elevar Issa para o céu, saiu para os seus companheiros, e na casa havia doze homens entre eles, a saber dos discípulos; saiu para eles duma fonte na casa: em verdade, entre vós quem descrer em mim doze vezes, depois de ter crido em mim; e aquele sobre quem a minha imagem será lançada será morto no meu lugar, e estará comigo no meu grau. Um jovem, o mais jovem entre eles em idade, levantou-se: senta-te. Depois repetiu a eles: o jovem levantou-se: senta-te. Depois repetiu a eles: o jovem levantou-se: sou eu.
Tu és esse. A sua imagem de Issa foi pois lançada sobre ele, e Issa foi elevado dum telhado da casa para o céu. Os judeus vieram buscá-lo; tomaram a imagem, mataram-no, depois crucificaram-no; certos entre eles descreram pois doze vezes, depois de terem crido nele; e dividiram-se em três seitas: Allah esteve entre nós como Ele quis, depois subiu ao céu. Esses são os jacobitas.
Esteve entre nós o filho de Allah como Ele quis, depois Allah o elevou para Si; esses são os nestorianos. Esteve entre nós o servo de Allah e o Seu mensageiro, como Allah quis, depois Allah o elevou para Si; esses são os muçulmanos. As duas descrentes ligaram-se pois contra a muçulmana; mataram-na, e o islã permaneceu apagado até que Allah enviasse Mohamed. E é a palavra do Altíssimo: sustentámos os que creram contra o seu inimigo, e foram pois vencedores.
E essa cadeia é autêntica até Ibn 'Abbas, segundo as condições de Muslim; e an-Nasa'i o relatou, de Abu Kurayb, de Abu Mu'awiya, num sentido vizinho; e Ibn Jarir o relatou, de Salm ibn Junada, de Abu Mu'awiya; e assim mencionaram mais de um dos antigos. Entre os que o mencionaram longamente: Muhammad ibn Ishaq ibn Yasar; fez de Issa aquele que pedia a Allah diferir o seu prazo, isto é, para transmitir a mensagem, e aperfeiçoar o chamado, e fazer que as gentes entrem muito na religião de Allah. E tinha, entre os discípulos, doze homens: Butrus; e Ya'qub ibn Zabdi; e Yahna, irmão de Ya'qub; e Andrawus; e Filiqqus; e Abarthalma; e Matta; e Tumas; e Ya'qub ibn Halqiya; e Taddawus; e Fata'; e Yudus Zakariyya Yawta; e esse é aquele que guiou os judeus para Issa. Ibn Ishaq disse: e havia entre eles um outro homem nomeado Sarjis; os cristãos esconderam-no; e é ele sobre quem a imagem do Messias foi lançada; foi crucificado no seu lugar.
E certos dos cristãos sustentam que aquele que foi crucificado no lugar do Messias, e sobre quem a sua imagem foi lançada, é Yudus Zakariyya Yawta. E Allah sabe melhor.
Ad-Dahhak disse: Issa deixou como herdeiro Sham'un; e os judeus mataram Yudus Zakariyya Yawta, sobre quem a imagem foi lançada. Muhammad ibn al-Jahm narrou-me: ouvi al-Farra' dizer a propósito da Sua palavra: e tramaram, e Allah tramou; e Allah é o melhor dos tramadores: Issa ausentou-se da sua tia um tempo; depois veio a ela; o chefe do Jalut judeu ergueu-se, e golpeou contra Issa, até que se reunissem à porta da sua casa; quebraram a porta, e o chefe do Jalut entrou para tomar Issa: não o vi. Tinha com ele uma espada nua: és tu Issa. Allah lançou a imagem de Issa sobre ele; tomaram-no, mataram-no, depois crucificaram-no; não o mataram, nem crucificaram, mas foi-lhes tornado semelhante.
Ibn Jarir disse: Ibn Humayd nos relatou; Ya'qub al-Qummi nos relatou, de Harun ibn 'Antara, de Wahb ibn Munabbih: Issa veio, com dezassete dos discípulos, numa casa; cercaram-nos; quando entraram para eles, Allah os moldou todos à imagem de Issa: enfeitiçastes-nos; mostrai-nos Issa, ou matar-vos-emos todos. Ele disse: quem compra de vós a sua alma hoje no Paraíso? Sou eu. Saiu pois para eles: sou Issa; e Allah o tinha moldado à imagem de Issa; tomaram-no, mataram-no, depois crucificaram-no; daí, foi-lhes tornado semelhante; e pensaram que tinham matado Issa; e os cristãos pensaram do mesmo modo que era Issa; e Allah elevou Issa nesse dia.
Al-Muthanna nos relatou; Ishaq nos relatou; Isma'il ibn 'Abd al-Karim nos relatou: Issa ibn Maryam, quando Allah lhe aprendeu que sairia do mundo, foi afligido pela morte, e isso lhe foi penoso: reuni-me essa noite; preciso de vós. Quando se reuniram junto dele à noite, serviu-os; e quando acabaram de comer, pôs-se a lavar-lhes as mãos e a purificá-las da sua mão, e enxugar as suas mãos com os seus vestidos; encontraram isso muito grave e recusaram: quem me recusa alguma coisa essa noite, do que faço, não é dos meus, e eu não sou dos seus. Quanto ao que fiz convosco essa noite, de vos ter servido à comida, e lavado as mãos da minha mão, que isso vos seja um exemplo para comigo; visto que vedes que sou o melhor entre vós, que nenhum de vós se infle sobre o outro, e que um de vós exponha pelo outro a sua alma, como expus a minha alma por vós.
Quanto à minha necessidade pela qual vos pedi a ajuda: invocai Allah por mim, e esforçai-vos na invocação de que Ele difira o meu prazo. Quando se puseram à invocação e quiseram esforçar-se, o sono tomou-os até que não pudessem mais invocar: glória a Allah: não podeis ser pacientes por mim uma só noite, e ajudar-me nela? Por Allah, não sabemos o que teremos; e por Allah, velávamos e falávamos muito; e essa noite, não podemos manter uma conversa; e não queremos invocar senão algo se esgueire entre nós e ele: o pastor é levado, e o rebanho se dispersa. Pôs-se a dizer palavras semelhantes a isso, deplorando a sua alma: em verdade, um de vós descrerá em mim antes que o galo cante três vezes; e um de vós vender-me-á por uns dirhams; e um de vós comerá o meu oitavo.
Saíram pois e dispersaram-se; e os judeus buscavam-no; tomaram Sham'un, um dos discípulos: esse é dos seus companheiros. Não sou o seu companheiro; deixaram-no; depois outros o tomaram; negou-o do mesmo modo; depois ouviu a voz dum galo, e chorou, e isso o entristeceu. Quando a manhã veio, um dos discípulos veio aos judeus: o que me dareis se vos guiar para o Messias? Fixaram-lhe trinta dirhams; tomou-os, e guiou-os para ele.
E a sua imagem tinha-lhes sido tornada semelhante antes disso; tomaram-no, e tomaram o seu empenho, e ligaram-no com a corda, e puseram-se a conduzi-lo: ressuscitavas os mortos, e repreendias o diabo, e curavas o louco; não saberias salvar-te dessa corda? E cuspiam sobre ele, e lançavam-lhe os espinhos, até que viessem com ele à madeira sobre a qual quiseram crucificá-lo; Allah o elevou para Si; crucificaram o que lhes foi tornado semelhante; permaneceu sete horas. Depois a sua mãe, e a mulher que Issa tratava, de quem Allah curou a loucura, vieram chorando lá onde estava o crucificado; Issa veio a elas: porque chorais? Por ti.
Em verdade, Allah me elevou para Si, e não me chegou senão do bem; e isso é uma coisa que lhes foi tornada semelhante; ordenai pois aos discípulos que me reencontrem a tal e tal lugar. Reencontraram-no nesse lugar, onze; e faltava aquele que o tinha vendido e guiado para ele os judeus; arrependeu-se do que tinha feito; estrangulou-se e matou-se. Se se tivesse arrependido, Allah ter-se-ia arrependido para ele. Yahna: está contigo; parti pois; cada ser humano entre vós levantar-se-á pela manhã falando a língua dum povo; que os adirta, e os chame.
E é uma cadeia estranha, espantosa; e é mais correta do que o que mencionaram os cristãos, que Allah os maldiga: que o Messias veio para Maryam, enquanto estava sentada chorando perto do seu tronco; mostrou-lhe o lugar dos cravos no seu corpo, e informou-a de que o seu espírito foi elevado, e que o seu corpo foi crucificado; e isso é calúnia, mentira, invenção, falsificação, mudança, e adição falsa no Evangelho, contrariamente à verdade e à exigência da transmissão.
O hafiz Ibn Asakir relatou, pela via de Yahya ibn Habib, o que lhe chegou: Maryam pediu da casa do rei, depois que o crucificado foi crucificado sete dias, e que ela pensava que era o seu filho, que se descesse o seu corpo; responderam, e foi enterrado aí. Não virás connosco visitar a sepultura do Messias? Partiram pois; e quando se aproximaram da sepultura: não te cobrirás? Quem se cobriria?
Desse homem que está perto da sepultura. Não vejo ninguém. Maryam esperou que fosse Jibril, enquanto o seu pacto com ele estava longínquo; interrogou a mãe de Yahya, e essa partiu para a sepultura; quando dela se aproximou, Jibril lhe disse: ó Maryam, onde queres ir? Visito a sepultura do Messias, e saúdo-o, e renovo um pacto com ele.
ó Maryam, não é o Messias; Allah elevou o Messias, e o purificou dos que descreram; mas esse jovem sobre quem a sua imagem foi lançada foi crucificado e morto no seu lugar; e o sinal disso é que as suas gentes o perderam; não sabem o que dele foi; choram sobre ele; quando for tal e tal dia, vem ao termo de tal e tal; encontrarás o Messias. Voltou para a sua irmã, e Jibril subiu; informou-a de Jibril, e do que lhe tinha dito a propósito do termo. Quando esse dia veio, partiu; encontrou Issa ao termo; quando a viu, apressou-se para ela, debruçou-se sobre ela, beijou-lhe a cabeça, e pôs-se a invocar por ela, como tinha o costume de o fazer: ó minha mãe, as gentes não me mataram; mas Allah me elevou para Si, e permitiu-me encontrar-te; e a morte vir-te-á em breve; sê pois paciente, e menciona Allah. Depois Issa subiu; não mais o encontrou, até à sua morte.
E chegou-me que Maryam viveu depois de Issa cinco anos, e morreu enquanto tinha cinquenta e cinco anos; e Allah a agreou.
A idade de Issa no dia da sua elevação foi de trinta e quatro anos. Em verdade, as gentes do Paraíso nele entrarão sem pelo, sem barba, encaracoladas de colírio, a propósito do nascimento de Issa, e da beleza de Yusuf. Do mesmo modo disse Hammad ibn Salama, de 'Ali ibn Zayd, de Sa'id ibn al-Musayyib: Issa foi elevado enquanto tinha trinta e três anos.
Quanto ao hadith relatado por al-Hakim no Sahih, e por Ya'qub ibn Sufyan al-Fasawi no Sahih, de Sa'id ibn Abi Maryam, de Nafi' ibn Yazid, de 'Umara ibn Ghaziyya, de Muhammad ibn 'Abdallah ibn 'Amr ibn 'Uthman, de quem a sua mãe Fatima bint al-Husayn informou: Fatima informou-me de que o Mensageiro de Allah a informou de que não houve profeta depois de quem viesse um profeta, sem que o de depois vivesse a metade da vida do de antes; Issa ibn Maryam viveu cento e vinte anos; não vejo pois senão eu indo ao começo dos sessenta. É o texto de al-Fasawi; é um hadith estranho.
O correto é que Issa não atingiu essa idade; o que é visado por isso é a duração da sua estadia na sua comunidade, como relatou Sufyan ibn 'Uyayna, de 'Amr ibn Dinan, de Yahya ibn Ja'da: Fatima disse: o Mensageiro de Allah disse-me: em verdade Issa ibn Maryam permaneceu junto dos Bani Israel quarenta anos; e é uma cadeia interrompida. Jarir e ath-Thawri disseram: Issa permaneceu entre o seu povo quarenta anos. E é relatado do comandante dos crentes 'Ali que Issa foi elevado à vigésima segunda noite de Ramadan; e essa noite, à sua parelha, 'Ali morreu, cinco dias depois da sua ferida. Ad-Dahhak relatou, de Ibn 'Abbas, que Issa, quando foi elevado para o céu, veio a ele uma nuvem que se aproximou dele até que sobre ela se sentasse; e Maryam veio a ele, lhe fez as despedidas e chorou; isso é um sinal entre ti e mim no Dia da Ressurreição.
Lançou o seu imamato a Sham'un; e a sua mãe pôs-se a lhe fazer as despedidas com o seu dedo, dele mostrando para ele até que dela desaparecesse. E ela amava-o dum amor intenso, porque o seu amor para com ela foi total, dos dois lados do pai e da mãe, pois não tem pai; e ela não o deixava nem em viagem nem em residência.
Eu via como a morte entre uma hora; e como com o intervalo que o ajuntamento tem por rendez-vous.
Ishaq ibn Bishr mencionou, de Mujahid ibn Jabr, que os judeus, quando crucificaram esse homem que lhes foi tornado semelhante, crendo-o o Messias, e de quem a maioria dos cristãos lhes accordou pela sua ignorância, se apoderaram dos seus companheiros pelo assassínio, os golpes e o emprisionamento; o seu affaire chegou ao mestre dos Rum, que era o rei de Damasco a essa época: em verdade, os judeus apoderaram-se dos companheiros dum homem que lhes mencionava que era o mensageiro de Allah, e que ressuscitava os mortos, curava o cego de nascença e o leproso, e fazia maravilhas; lançaram-se sobre ele e mataram-no, e humilharam os seus companheiros e emprisionaram-nos.
Enviou pois; foram trazidos, entre eles Yahya ibn Zakariyya, e Sham'un, e um grupo; interrogou-os a propósito do affaire do Messias; informaram-no; seguiu a sua religião, e ergueu a sua palavra; a verdade triunfou dos judeus, e a palavra dos cristãos prevaleceu sobre eles; enviou para o crucificado; foi retirado do seu tronco; e foi trazido o tronco sobre o qual foi crucificado esse homem; magnificou-o; daí, os cristãos magnificaram a cruz; e daí entrou a religião do cristianismo junto dos Rum. E há aí, de vários lados, matéria a exame: um deles é que Yahya ibn Zakariyya é um profeta; não reconheceria que o crucificado é Issa, pois é preservado, e sabe o que adveio segundo a verdade. O segundo: que os Rum não entraram na religião do Messias antes de trezentos anos, e isso à época de Qustantin ibn Qastas, construtor da cidade a que é atribuído, como o mencionaremos.
O terceiro: que os judeus, quando crucificaram esse homem, depois o lançaram com a sua madeira, dele fizeram um lugar de escombros e de impurezas, e de carniças de mortos e de sujidades; e isso permaneceu assim até à época de Qustantin mencionado; a sua mãe, Helena, originária de Harran, romana, a isso se empregou; dela o retirou, crendo que era o Messias; e encontraram a madeira sobre a qual foi crucificado o crucificado; mencionaram que nenhum portador de invalidez o tocou sem ser curado. Allah sabe pois melhor se isso foi ou não; e é porque esse homem que expôs a sua alma foi um homem reto, ou é uma prova e uma tentação para a comunidade dos cristãos esse dia? Até que magnificaram essa madeira, e a envolveram de ouro e de pérolas; e daí tomaram as cruzes, delas se beberam pela sua forma, e abraçaram-nas; que Allah os maldiga.
A mãe do rei, Helena, ordenou; tiraram pois esses escombros; e construíram no seu lugar uma igreja imensa, ornada de todas sortes de parure; e é a célebre hoje no país de Bayt al-Maqdis: al-Qumama, segundo o que aí estava; e nomeiam-na al-Qiyama, querendo dizer aquela de onde o corpo do Messias se erguerá. Depois Helena ordenou que fossem depositados os escombros do país, os seus pós e as suas sujidades sobre a rocha que é a qibla dos judeus; isso permaneceu assim até que Omar ibn al-Khattab conquistou Bayt al-Maqdis; dele varreu os escombros com o seu vestido, e o purificou das orduras e das impurezas; e não pôs a mesquita atrás dele, mas diante dele, lá onde o Mensageiro de Allah orou, na noite da viagem noturna, com os profetas; e é al-Aqsa.
Qualidades de Issa, as suas virtudes e os seus méritos.
O Messias ibn Maryam não é senão um mensageiro; mensageiros passaram antes dele; e a sua mãe era uma veraz. Foi dito: o Messias foi assim nomeado pelo esfregamento da terra, a saber o seu errar sobre ela, e a sua fuga com a sua religião das provas a essa época, por causa da intensidade do desmentido dos judeus para com ele, e a sua calúnia contra ele e a sua mãe; ou porque os seus dois pés estavam esfregados. Traçámos os seus rastos por Issa ibn Maryam, confirmando o que há antes dele da Tora; e demos-lhe o Evangelho, no qual guia e luz. E o Altíssimo disse: e demos a Issa ibn Maryam as provas, e sustentámo-lo pelo espírito de santidade.
E os versículos a esse assunto são muito numerosos. Já foi dito o que está estabelecido nos Sahih: não há recém-nascido sem que o diabo não perfure a sua anca ao momento em que nasce; urra ao contato, à exceção de Maryam e do seu filho; o diabo partiu para o perfurar; não perfurou senão o véu. E o hadith de Umayr ibn Hani', de Junada, de 'Ubada, do Mensageiro de Allah, já foi mencionado: quem atesta que não há divindade senão Allah, só, sem associado, e que Mohamed é o Seu servo e o Seu mensageiro, e que Issa é o servo de Allah e o Seu mensageiro, e a Sua palavra que lançou para Maryam e um espírito d'Ele, e que o Paraíso é verdade e o Fogo verdade, Allah fá-lo-á entrar no Paraíso pelo que foi da obra; relatado por al-Bukhari, e é o seu texto, e por Muslim.
Al-Bukhari e Muslim relataram, do hadith de ash-Sha'bi, de Abu Burda ibn Abu Musa, do seu pai: o Mensageiro de Allah disse: quando um homem casa com a sua serva, bem a educa, bem a ensina, depois a liberta e casa com ela, tem duas recompensas; e quando um homem crê em Issa ibn Maryam, depois crê em mim, tem duas recompensas; e o servo, quando teme o seu Senhor e obedece aos seus mestres, tem duas recompensas. É o texto de al-Bukhari.
Ibrahim ibn Musa nos relatou; Hisham informou-nos, de Ma'mar; e Mahmud narrou-me; Abd ar-Razzaq nos relatou; Ma'mar informou-nos, de az-Zuhri: Sa'id ibn al-Musayyib informou-me, de Abu Hurayra: o Profeta disse, a noite em que foi levado em viagem noturna: encontrei Musa; descreveu-o: e eis um homem que creio ao teint toldo, a cabeça aos cabelos lisos, como se fosse dos homens de Shanu'a. E encontrei Issa; e o Profeta descreveu-o: de estatura média, vermelho, como se saísse dos banhos, queria dizer do banho do hammam; e vi Ibrahim, e pareço-me mais ao seu filho. E o hadith já foi dito no relato de Ibrahim e de Musa. Muhammad ibn Kathir nos relatou; Isra'il informou-nos, de 'Uthman ibn al-Mughira, de Mujahid, de Ibn Omar: o Profeta disse: vi Issa, e Musa, e Ibrahim; quanto a Issa, é vermelho, de cabelos encaracolados, de peito largo; e quanto a Musa, é trigueiro, corpulento, de estatura direita, como se fosse dos homens az-Zutt. Só al-Bukhari o relatou.
Ibrahim ibn al-Mundhir nos relatou; Abu Damra nos relatou; Musa ibn 'Uqba nos relatou, de Nafi': Abdallah ibn Omar disse: o Profeta mencionou um dia, no meio das gentes, o Messias Dajjal: em verdade Allah não é caolente; mas o Messias Dajjal é caolente do olho direita; o seu olho parece uma uva flutuante; e Allah mostrou-me essa noite, perto da Kaaba, num sonho: e eis um homem trigueiro entre os mais belos que se vejam dos homens trigueiros; as madeixas dos seus cabelos caindo entre os seus ombros; os cabelos lisos; a sua cabeça gotejando de água; pousando as suas mãos sobre os ombros de dois homens; e contornava a Casa: quem é esse? É o Messias ibn Maryam. Depois vi atrás dele um homem aos cabelos encaracolados, crespos, caolente do olho direita, o mais semelhante dos que vi a Ibn Qatan, pousando a sua mão sobre o ombro dum homem, contornando a Casa: quem é esse? É o Messias Dajjal.
E Muslim o relatou do hadith de Musa ibn 'Uqba. Depois al-Bukhari disse: 'Ubaydallah ibn Nafi' corroborou-o; depois relatou-o pela via de az-Zuhri, de Salim, de Ibn Omar. E Ibn Qatan é um homem de Khuzay'a, morto na jahiliyya. Mostrou pois, sobre ele as orações de Allah e a saudação, as qualidades dos dois Messias: o Messias da guia e o Messias do desvio, para que esse seja reconhecido quando descer, e que os crentes nele creiam, e que o outro seja reconhecido, e que os unicistas dele se guardem.
Abdallah ibn Mohamed nos relatou; Abd ar-Razzaq nos relatou; Ma'mar informou-nos, de Hammam ibn Munabbih, de Abu Hurayra, que diz: Issa ibn Maryam viu um homem roubar; disse-lhe: roubaste? Não, por Aquele de Quem não há divindade fora d'Ele. Cri em Allah, e tratei o meu olho de mentiroso. Do mesmo modo Muslim o relatou, de Muhammad ibn Rafi', de Abd ar-Razzaq.
'Affan nos relatou; Hammad ibn Salama nos relatou, de Humayd at-Tawil, de al-Hasan e outros, de Abu Hurayra: e não o conheço senão do Profeta: Issa viu um homem roubar; ele disse: ó tal, roubaste? Não, por Allah, não roubei. Cri em Allah, e tratei a minha vista de mentirosa. E isso indica uma sabedoria pura, pois prestou juramento a esse homem, pensando que ninguém jura pela grandeza de Allah em mentiroso, sobre o que de que o tinha visto testemunhar visivelmente; aceitou pois a sua escusa, e voltou sobre si mesmo: cri em Allah; disseste-me a verdade, e tratei a minha vista de mentirosa, por causa do teu juramento.
Muhammad ibn Yusuf nos relatou; Sufyan nos relatou, de al-Mughira ibn Nu'man, de Sa'id ibn Jubayr, de Ibn 'Abbas: o Mensageiro de Allah disse: como começámos a primeira criação, a repetiremos; promessa da Nossa parte; em verdade, somos dos faixadores: o primeiro da criação que será vestido é Ibrahim; depois tomar-se-ão uns homens dos meus companheiros de direita e de esquerda: são os meus companheiros. Não cessam de voltar sobre os seus talões desde que os deixei; e eu era testemunha sobre eles tanto que estive entre eles; depois quando me tiver recordado para Ti, Tu foste Tu o seu observador; e és testemunha de toda coisa; se os castigas, são os Teus servos; e se lhes perdoas, em verdade Tu és o Eterno, o Sábio. Só Muslim o relatou dessa maneira.
Abdallah ibn az-Zubayr al-Humaydi nos relatou; Sufyan nos relatou; 'Ubaydallah ibn 'Abdallah informou-me, de Ibn 'Abbas: ouvi o Mensageiro de Allah dizer: não me exagereis, como os cristãos exageraram Issa ibn Maryam, pois não sou senão um servo, o servo de Allah e o Seu mensageiro.
Muslim ibn Ibrahim nos relatou; Jarir ibn Hazim nos relatou, de Muhammad ibn Sirin, de Abu Hurayra, do Profeta: não falou no berço senão três: Issa, e Jurayj; ele orava quando a sua mãe veio a ele e o chamou: respondo a ela, ou oro? Allah, faze-o morrer sem que veja os rostos das imorais. Jurayj estava no seu ermidão; uma mulher apresentou-se a ele e falou-lhe; recusou; foi pois para um pastor e permitiu dela mesma; gerou um menino: de quem? De Jurayj.
Vieram pois a ele, quebraram o seu ermidão, fizeram-no descer e insultaram-no; fez as suas abluções, e orou: quem é o teu pai, ó menino? Fulano, o pastor. Reedifica o teu ermidão em ouro? Não, senão em argila.
E uma mulher amamentava o seu filho junto dos Bani Israel; um cavaleiro portando um açoite passou diante dela: Allah, faze que o meu filho seja como ele. Deixou o seu seio, e voltou-se para o cavaleiro: Allah, não faças de mim como ele. Como se visse o Profeta sugar o seu dedo; depois uma serva passou; disse: Allah, não faças do meu filho como essa. Deixou o seu seio: Allah, faze de mim como ela.
Porque isso? O cavaleiro é um tirano dos tiranos: roubaste, e cometeste o adultério. E eu não o fiz.
Abu al-Yaman nos relatou; Shu'ayb nos relatou, de az-Zuhri: Abu Salama informou-me: ouvi o Mensageiro de Allah dizer: sou o mais próximo das gentes do filho de Maryam; e os profetas são filhos de pais diferentes; e não há entre mim e ele profeta. Só al-Bukhari o relatou dessa maneira; e Ibn Hibban o relatou no Sahih, do hadith de Abu Dawud al-Hafari, de ath-Thawri, de Abu az-Zinad, de al-A'raj, de Abu Salama, de Abu Hurayra.
Waki' nos relatou; Sufyan, que é ath-Thawri, nos relatou, de Abu az-Zinad, de al-A'raj, de Abu Hurayra: o Mensageiro de Allah disse: sou o mais próximo das gentes de Issa; e os profetas são irmãos, filhos de pais diferentes; e não há entre mim e Issa profeta; e é uma cadeia autêntica segundo as suas duas condições, e não o relataram dessa maneira.
Ahmad o relatou, de Abd ar-Razzaq, de Ma'mar, de Hammam, de Abu Hurayra, do Profeta, num sentido vizinho; e Ibn Hibban o relatou do hadith de Abd ar-Razzaq, num sentido vizinho.
Yahya nos relatou, de Ibn Abi 'Urwa; Qatada nos relatou, de 'Abd ar-Rahman ibn Adam, de Abu Hurayra, do Profeta: os profetas são irmãos, filhos de pais diferentes, e a sua religião é uma, e as suas mães são diversas; e sou o mais próximo das gentes de Issa ibn Maryam, porque não há entre mim e ele profeta; e ele descerá; quando o virdes, reconhecei-o: é um homem de estatura média, tendendo ao vermelho e ao branco, ao teinto como se a sua cabeça gotejasse, mesmo se a humidade não o alcança; entre as duas chupetas; quebrará a cruz, e matará o porco, e imporá a jizya, e suspenderá as religiões, até que, à sua época, pereçam todas as religiões, salvo o islã; e Allah fará perecer, à sua época, o Messias Dajjal mentiroso; e a confiança pousará sobre a terra, ao ponto que os camelos pastarão com os leões juntos, e os tigres com as vacas, e os lobos com as ovelhas, e as crianças e os jovens brincarão com as serpentes, sem que se danem uns aos outros; permanecerá então tanto quanto Allah quer que permaneça; depois morrerá; os muçulmanos orarão sobre ele e o enterrarão.
Ahmad o relatou depois, de 'Affan, de Hammam, de Qatada, de 'Abd ar-Rahman, de Abu Hurayra; mencionou um sentido vizinho: permanecerá quarenta anos, depois morrerá, e os muçulmanos orarão sobre ele. Abu Dawud o relatou, de Hudba ibn Khalid, de Hammam ibn Yahya, num sentido vizinho. Hisham ibn 'Urwa relatou, de Salih, liberto de Abu Hurayra, dele: que o Mensageiro de Allah disse: permanecerá sobre a terra quarenta anos; e a exposição da sua descida ao fim dos tempos virá no livro; como o desenvolvemos também no Tafsir, à palavra do Altíssimo na surata an-Nisa: e não há gentes do Livro sem que nele creiam, antes da sua morte; e no Dia da Ressurreição, ele será testemunha sobre eles; e a Sua palavra: e em verdade ele é uma ciência para a Hora. E o versículo.
Descerá sobre o minarete branco de Damasco, enquanto a oração da manhã estará estabelecida: avança, ó espírito de Allah, e ora. Não; certos de vós estão sobre outros, uns emires, em honra que Allah concede a essa comunidade. Issa dir-lhe-á: a oração não foi estabelecida senão para ti. Orará pois atrás dele, depois montará, com os muçulmanos, à busca do Messias Dajjal; alcançá-lo-á à porta de Ludd, e matá-lo-á da sua nobre mão.
Mencionamos que a esperança se reforçou quando foi construído esse minarete oriental de Damasco, que é de pedras brancas; e foi construído também com os bens dos cristãos quando queimaram aquele que foi demolido, e os seus arredores; Issa ibn Maryam descerá pois sobre ele; matará o porco, quebrará a cruz, e não aceitará de ninguém senão o islã; e fará a peregrinação do faq de ar-Rawha, em peregrinação ou em 'umra, ou para os dois; e residirá quarenta anos, depois morrerá; e será enterrado, segundo o que se diz, na câmara profética, junto do Mensageiro de Allah e dos seus dois companheiros. E chegou aí um hadith a esse assunto, mencionado por Ibn Asakir ao fim da biografia do Messias no seu livro, segundo 'A'isha, remontado: que será enterrado com o Mensageiro de Allah, e Abu Bakr, e Omar, na câmara profética; mas a sua cadeia não se tem.
Zayd ibn Akhzam at-Ta'i nos relatou; Abu Qutayba, isto é, Salm ibn Qutayba, nos relatou; Abu Mawdud al-Madani narrou-me; 'Uthman ibn ad-Dahhak nos relatou, de Muhammad ibn Yusuf ibn 'Abdallah ibn Salam, do seu pai, do seu avô: está escrito na Tora a descrição de Mohamed, e Issa ibn Maryam será enterrado com ele. E resta na Casa o lugar duma sepultura. É um hadith bom. Ele diz assim. E o justo é ad-Dahhak ibn 'Uthman al-Madani. Esse hadith não se tem à minha opinião, e não é corroborado.
Al-Bukhari relatou, de Yahya ibn Hammad, de Abu Awana, de 'Asim al-Ahwal, de Abu 'Uthman an-Nahdi, de Salman: o intervalo entre Issa e Mohamed é de seiscentos anos. Quinhentos e sessenta anos. Quinhentos e quarenta e quatro anos. Quatrocentos e trinta e alguns anos. E o célebre é seiscentos anos. Seiscentos e vinte anos ao calendário lunar, que fazem seiscentos ao solar. E Allah sabe melhor.
Ibn Hibban disse no Sahih: menção da duração durante a qual a comunidade de Issa permaneceu sobre a sua guia. Abu Ya'la nos relatou; Abu Hammam nos relatou; al-Walid ibn Mouslim nos relatou, de al-Haytham ibn Humayd, de al-Wadin ibn 'Ata', de Nasr ibn 'Alqama, de Jubayr ibn Nufayr, de Abu ad-Darda: o Mensageiro de Allah disse: Allah tomou Dawud do meio dos seus companheiros; não foram provados nem mudados; e os companheiros do Messias permaneceram sobre a sua Sunna e a sua guia duzentos anos. E é um hadith muito estranho, mesmo se Ibn Hibban o autenticou. Ibn Jarir mencionou, de Muhammad ibn Ishaq, que Issa, antes de ser elevado, recomendou aos discípulos chamarem as gentes a adorar Allah só, sem associado, e designou cada um deles para um grupo das gentes, num clima dos climas da Síria e do oriente, e do país do ocidente; mencionaram que cada ser humano entre eles se pôs pela manhã a falar a língua daqueles para os que o Messias o tinha enviado.
Luka, e Matta, e Murqus, e Yuhanna. E entre esses quatro Evangelhos há muita divergência, para cada exemplar e exemplar, e muitas adições e retranchamentos em relação aos outros; e esses quatro: entre eles dois que alcançaram o Messias e o viram, a saber Matta e Yuhanna; e entre eles dois entre os companheiros dos seus companheiros. E Allah sabe melhor. E os dois são Murqus e Luka.
Dina, e estava escondido numa gruta ao interior da porta oriental, perto da igreja do Crucificado, por medo de Boulus o judeu, que era injusto, espoliador, odioso do Messias; e quando o trouxe. E tinha raspado a cabeça do sobrinho quando creu no Messias; e contornou-o na cidade; depois apedrejou-o até que morresse. Depois quando Boulus ouviu que o Messias se tinha dirigido para Damasco, preparou a sua espada e saiu para o matar; encontrou-o em Kawkaba; e quando enfrentou os companheiros do Messias, um anjo veio a ele; feriu o seu rosto da borda da sua asa; cegou-o; quando viu isso, a fé no Messias estabeleceu-se na sua alma; veio pois para ele, e escusou-se do que tinha feito, e creu nele; aceitou-o dele; e pediu-lhe que esfregasse os seus olhos, para que Allah lhe restituísse a vista: vai para Dina; está em Damasco, ao fundo do mercado estirado do oriente; invoca por ti.
Veio pois a ele, e invocou; a vista foi-lhe restituída; e a fé de Boulus no Messias, a saber que é o servo de Allah e o Seu mensageiro, tornou-se bela; e uma igreja foi construída no seu nome; e é a igreja de Boulus célebre em Damasco, desde a época da sua conquista pelos Companheiros, até que foi destruída à época que avançaremos, se Allah, o Altíssimo, o quiser.
Capítulo.
Os companheiros do Messias divergiram depois da sua elevação para o céu sobre ele, segundo dizeres, como disseram Ibn 'Abbas e outros dos imãs dos antigos: sustentámos os que creram contra o seu inimigo, e foram pois vencedores. Ibn 'Abbas e outros disseram: grupos entre eles disseram: esteve entre nós o servo de Allah e o Seu mensageiro, depois foi elevado para o céu. É Allah. É o filho de Allah.
O primeiro é pois a verdade, e as duas outras palavras são uma descrença imensa; depois os partidos divergiram entre eles; ai pois dos que descridem, à vista dum dia terrível.
E divergiram na transmissão dos Evangelhos segundo quatro palavras, entre adição, retranchamento, falsificação e mudança; depois trezentos anos depois do Messias tiveram lugar a calamidade imensa e a prova maior: os quatro patriarcas divergiram, e todos os bispos, os sacerdotes, os diáconos e os monges a propósito do Messias, segundo dizeres múltiplos que não se contam nem se delimitam; reuniram-se e arbitraram junto do rei Qustantin, construtor de Constantinopla; e foram o primeiro concílio; o rei voltou-se pois para a palavra do maior grupo que se tinha accordado sobre uma palavra dessas opiniões; foram nomeados os Malaika; refutou e afastou os que os contradisseram; e a seita que segue Abdallah ibn Adyus permaneceu só, ele que se estabeleceu firmemente que Issa é um servo entre os servos de Allah, e um mensageiro entre os seus mensageiros; habitaram pois as planícies e os desertos, e construíram os ermidões, os conventos e as celas, e contentaram-se da vida ascética, e não se misturaram a essas religiões e seitas; e os Malaika construíram as igrejas imensas; tomaram o que era da construção dos gregos, e voltaram os seus nichos para o oriente, enquanto estavam para o norte, para o Carneiro.
Exposição da construção de Bayt Lahm e de al-Qumama.
E o rei Qustantin construiu Bayt Lahm sobre o lugar do nascimento do Messias; e a sua mãe Helena construiu al-Qumama, isto é, sobre a sepultura do crucificado, de quem accordam aos judeus que é o Messias, enquanto esses e aqueles descreram; e puseram as leis e as regras, entre as quais uma contrária à religião antiga, que é a Tora; e tornaram lícitas coisas que estão interditas segundo o texto da Tora; entre elas o porco; e oraram para o oriente, enquanto o Messias não orava senão para a rocha de Bayt al-Maqdis; e do mesmo modo todos os profetas depois de Musa, e Mohamed, selo dos profetas, orou para ela dezasseis ou dezassete meses depois da sua emigração para Medina; depois foi deslocada para a Kaaba que Ibrahim al-Khalil construiu; e ornamentaram as igrejas, que não estavam ornamentadas antes disso; e puseram o credo que guardam os seus filhos, as suas mulheres e os seus homens, de que nomeiam a Amana, e que na realidade é a maior das descrenças e das traições.
E todos os melquitas e os nestorianos são as gentes de Nestorius, gentes do segundo concílio; e os jacobitas são as gentes de Ya'qub al-Barad'i, gentes do terceiro concílio; creem esse credo, e divergem na sua interpretação; e eis que o relato: e quem relata a descrença não é descrente pelo que divulga, segundo o que ela contém, a tartuferia das palavras e a abundância de descrença e de mal, conduzindo o seu titular ao Fogo às chamas; dizem pois: cremos numa divindade única, que regula tudo, criadora dos céus e da terra, de tudo o que se vê, e de tudo o que não se vê; e num só Senhor, Yashu' al-Masih filho de Allah, o único, gerado do Pai antes das épocas; luz de luz; divindade de verdade, de divindade de verdade; gerado, não criado; igual ao Pai na essência; por quem foi toda coisa, por causa de nós, nós os humanos; e para a nossa salvação desceu do céu, e encarnou do espírito de santidade, e da virgem Maryam, e humanizou-se, e foi crucificado ao tempo de Malatis o Nabateu, e sofreu e foi enterrado, e ressuscitou ao terceiro dia, como nos livros, e subiu ao céu, e sentou-se à direita do Pai; e também: virá no seu corpo para julgar os vivos e os mortos, de quem a realeza não tem fim;
e o espírito de santidade, o Senhor vivificante, emanado do Pai; com o Pai e o Filho é adorado, e na glória daquele que fala nos profetas; numa relação única, reuniente, santa, católica; e reconhece um só batismo para a remissão dos pecados; e espera a ressurreição dos mortos, e a vida da eternidade vindoura; que assim seja: amém.