Início > Religiões e crenças > O ateísmo visto pelo islã > Quem criou Deus?
Por que a pergunta "quem criou Deus?" é autocontraditória: a regressão infinita impossível, o Eterno sem causa (Alcorão 57:3), e a verdadeira pergunta escondida atrás da objeção.
A pergunta "quem criou Deus?" supõe que tudo deve ter uma causa. Mas o argumento do crente nunca disse isso: ele diz que tudo o que começa tem uma causa. Allah, por definição, não começou: "Ele é o Primeiro e o Último" (Alcorão 57:3).
Pedir quem criou o Eterno equivale a pedir quem criou aquele que não precisa ser criado: a pergunta se esvazia de si mesma, e a alternativa ateísta (um princípio sem causa ou uma regressão infinita) contradiz a razão que ela reclama.
Sumário:
Atualizado em 18 outubro 2026 às 04h21
📖 3 min de leitura"Se tudo tem uma causa, quem criou Deus?" A objeção parece imparável, e ela é de fato a mais popular das objeções ateias. Ela repousa sobre uma atribuição enganosa: ela atribui ao crente uma tese que ele não sustenta. O crente não diz "tudo tem uma causa".
ele diz "tudo o que começa tem uma causa". A diferença é toda a discussão: um ser eterno, sem princípio, não tem de entrar na cadeia das causas, pois não há nada a explicar antes dele.
Tome a pergunta a sério e leve-a até o fim: se Deus precisasse de um criador, o seu criador também precisaria, e assim por diante ao infinito. Ora, uma regressão infinita de causas, sem primeiro termo, jamais conclui nada: uma cadeia de dominós infinita, sem primeiro dominó, não derruba nenhum dominó. É preciso pois um ser cuja existência não se coloca, mas se dá: sem princípio, sem causa, "o Primeiro e o Último" (Alcorão 57:3), aquele que "Jamais gerou ou foi gerado!" (Alcorão 112:3).
Pedir "quem criou o eterno" equivale a pedir "quem criou aquele que não precisa ser criado": a pergunta se esvazia de si mesma.
E a alternativa ateísta não é mais confortável: um universo saído do nada sem causa, ou uma regressão infinita já atravessada, são impossibilidades que a razão não aceita em nenhum outro lugar. A página a existência de Deus: as provas do islã desenvolve o argumento do princípio.
Muitas vezes, a objeção mascara uma pergunta mais profunda e mais pessoal: "quem criou tudo isso, e por que eu?" É exatamente a pergunta que o Alcorão dirige: "Porventura, não foram eles criados do nada, ou são eles os criadores? Ou criaram, acaso, os céus e a terra?" (Alcorão 52:35-36). A pergunta não é um enigma filosófico: ela diz respeito a você, à sua origem, ao seu fim, à sua responsabilidade.
Allah não esconde a Sua resposta: uma só mensagem, um só Criador, uma só rota.
Último detalhe, decisivo: quem pergunta "quem criou Deus?" pressupõe que nada pode existir sem causa exterior, logo o universo também. Bem observado: é exatamente a posição muçulmana.
O universo, que começou, tem uma causa;
o Eterno, que não começou, é a sua causa.
A objeção, levada com honestidade, reconduz pois à resposta. Se ela convence você, a porta está aberta: o silo tornar-se muçulmano responde a todas as perguntas práticas que se seguem.
Não é um privilégio, é a definição do que é eterno: só o que começa precisa de uma causa. Um ser eterno, sem princípio, não entra na cadeia das causas. A causa primeira deve ser primeira, senão nada jamais existiria: uma fila infinita de causas já concluída é uma impossibilidade lógica.
Não: a pergunta se resolve numa frase (o eterno não precisa de criador, Alcorão 57:3), e ela mascara muitas vezes uma verdadeira pergunta, mais pessoal: quem me criou a mim, e por quê? É essa que o Alcorão dirige diretamente (Alcorão 52:35).